O Flamengo parecia ter resolvido a partida antes mesmo de chegar ao intervalo. Com gols de Danilo e Lucas Paquetá, o time carioca abriu 2 a 0 na Vila Belmiro e encaminhou uma vitória importante na disputa pelo título brasileiro. Só que havia um detalhe que mudaria completamente a noite: Neymar estava voltando ao campo depois de cinco semanas afastado por lesão.
O camisa 10 entrou no intervalo e transformou o cenário. Em um segundo tempo marcado por tensão, uma expulsão após revisão do VAR e uma discussão com Paquetá, o atacante converteu dois pênaltis e garantiu o empate por 2 a 2, pela 29ª rodada do Brasileirão.
O resultado teve peso para os dois lados. O Santos prolongou sua sequência invicta no campeonato, enquanto o Flamengo deixou escapar dois pontos em uma disputa pela liderança que ficou ainda mais apertada.
Primeiro tempo: o Flamengo aproveitou as brechas do Santos
O início não indicava que Neymar seria o grande personagem da partida.
O Santos tentou ameaçar em transições rápidas e teve oportunidades com Gabigol, mas o Flamengo conseguiu ajustar a marcação, controlar melhor o meio-campo e encontrar espaços na defesa adversária.
Aos 44 minutos, Danilo apareceu na área e abriu o placar. O gol premiou a equipe carioca pela melhora na construção ofensiva durante a primeira etapa.
O golpe seguinte veio praticamente no último lance antes do intervalo. Aos 45 minutos e quatro segundos, Lucas Paquetá aproveitou uma jogada construída pelo Flamengo e ampliou a vantagem para 2 a 0.
O cenário era confortável para os visitantes: dois gols de vantagem, controle do jogo e um Santos que ainda não conseguia transformar suas chegadas em resultado.
Mas o intervalo mudou tudo.
A entrada de Neymar alterou o ambiente
Neymar entrou no lugar de Philippe Coutinho no início do segundo tempo.
O retorno já tinha importância própria. O atacante estava afastado desde 2 de setembro, tratando uma lesão na coxa direita, e precisava recuperar ritmo de jogo.
Só que a presença do camisa 10 também mudou o comportamento do Santos. A equipe ganhou uma referência para procurar no ataque e passou a acreditar mais na possibilidade de buscar o resultado.
O Flamengo ainda tinha vantagem e continuava perigoso, mas a partida começou a ficar mais nervosa.
E foi nesse ambiente que aconteceu o primeiro episódio de tensão entre Neymar e Paquetá.
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Neymar e Paquetá discutem em campo
Com o Flamengo vencendo por 2 a 0, Paquetá cometeu uma falta dura em Neymar. O santista se levantou rapidamente e foi tirar satisfação com o adversário.
Os dois trocaram palavras, e Paquetá recebeu cartão amarelo. O episódio não terminou em agressão, mas deixou evidente o clima cada vez mais quente da partida.
A discussão ganhou importância pelo contexto: Neymar tentava liderar a reação do Santos, enquanto Paquetá havia acabado de marcar o segundo gol do Flamengo.
O confronto entre os dois virou uma das imagens mais marcantes de uma noite que ainda teria uma sequência de decisões polêmicas.
O lance de Jorginho mudou a história do jogo
Aos 26 minutos do segundo tempo, o Flamengo ainda parecia próximo de administrar a vantagem. Então aconteceu o lance que alterou completamente a partida.
Em uma disputa com Rony, Jorginho caiu na entrada da área e a bola tocou em seu braço. Anderson Daronco marcou inicialmente uma infração fora da área e aplicou cartão amarelo.
O VAR chamou o árbitro para revisar o lance. A análise se prolongou por 9 minutos e 56 segundos, a maior paralisação do VAR em uma partida do Brasileirão desde a implementação da tecnologia, segundo levantamento do ge.
Depois da revisão, Daronco marcou pênalti para o Santos e trocou o cartão amarelo de Jorginho pelo vermelho. O Flamengo ficou com um jogador a menos em um momento decisivo.
A decisão provocou reclamações dos jogadores rubro-negros e dividiu opiniões entre ex-árbitros. A discussão não ficou restrita à mão de Jorginho: também envolveu a disputa anterior com Rony e a interpretação sobre a localização da infração.
Neymar bate o primeiro pênalti e reacende a Vila
Depois de quase dez minutos de interrupção, Neymar assumiu a cobrança.
O camisa 10 bateu com segurança e diminuiu para 2 a 1, aos 36 minutos do segundo tempo.
O gol teve um efeito imediato. O Santos ganhou energia, a torcida aumentou a pressão e o Flamengo precisou reorganizar a equipe com um jogador a menos.
O que parecia uma partida controlada se transformou em um teste de resistência para os visitantes.
O Santos passou a pressionar mais e encontrou espaço para atacar. Neymar, que havia começado a partida no banco, agora era o centro de todas as ações ofensivas dos donos da casa.
Seis minutos depois, veio o empate
Aos 42 minutos, Gabigol sofreu uma falta dentro da área em disputa com Luiz Araújo, e Daronco marcou outro pênalti para o Santos.
Mais uma vez, Neymar foi para a bola.
Mais uma vez, converteu.
O empate por 2 a 2 estava construído em apenas seis minutos entre as duas cobranças convertidas pelo camisa 10. O Santos saiu de uma desvantagem de dois gols para igualar o líder do campeonato, enquanto o Flamengo passou a lutar para evitar uma virada.
O segundo pênalti também gerou discussão. Ex-árbitros divergiram sobre a intensidade do contato em Gabigol e sobre se o toque de Luiz Araújo foi suficiente para justificar a marcação.
A arbitragem, portanto, acabou ocupando uma parte importante da narrativa de um jogo que já tinha sido transformado pela entrada de Neymar.
O empate não foi apenas obra de dois pênaltis
É verdade que Neymar marcou duas vezes da marca da cal. Mas reduzir a reação do Santos somente às cobranças não explica o que aconteceu em campo.
O Flamengo tinha construído uma vantagem confortável, porém perdeu organização depois da expulsão. Com menos um jogador, passou a ter mais dificuldade para proteger os espaços e impedir a pressão santista.
O Santos, por sua vez, encontrou confiança depois do primeiro gol e aumentou a intensidade ofensiva. A presença de Neymar ajudou a dar direção à reação, enquanto a torcida empurrou a equipe nos minutos finais.
A expulsão foi um ponto de virada decisivo, mas o Flamengo também não conseguiu administrar o cenário depois de perder Jorginho.
A análise do ge destacou justamente essa combinação: a arbitragem gerou revolta no time carioca, mas os erros próprios e a dificuldade de reagir com um jogador a menos também contribuíram para o empate.
O que o resultado muda para Santos e Flamengo?
Para o Santos, o empate amplia a sequência de invencibilidade no Brasileirão para oito partidas e mantém viva a busca por uma vaga direta na Libertadores de 2027.
Para o Flamengo, a sensação é bem diferente. O time deixou escapar uma vantagem de dois gols e viu o Palmeiras se aproximar na disputa pelo título. Após a 29ª rodada, o Flamengo ficou com 61 pontos, contra 60 do rival paulista.
A equipe de Leonardo Jardim mostrou qualidade durante boa parte do primeiro tempo, mas não conseguiu sustentar o desempenho até o final. A expulsão teve impacto evidente, embora a perda de controle após o primeiro pênalti também tenha exposto problemas de gestão da partida.
Neymar voltou — e lembrou por que continua decisivo
A noite na Vila Belmiro teve gols, tensão, discussão e uma longa revisão do VAR. Mas o principal personagem foi Neymar.
Depois de cinco semanas afastado, o atacante entrou no intervalo, assumiu a responsabilidade nas duas cobranças e impediu que o Santos saísse derrotado em casa.
Não foi uma atuação que apagou todas as dúvidas sobre sua condição física. O próprio jogador demonstrou cautela ao voltar de lesão. Mas foi uma demonstração de como sua presença ainda pode mudar o rumo de uma partida.
A discussão com Paquetá ajudou a retratar o clima quente do confronto. A expulsão de Jorginho alterou o equilíbrio numérico. E os dois pênaltis definiram o placar.
No fim, o Flamengo saiu com a frustração de ter deixado escapar uma vitória importante. O Santos ficou com um ponto e uma reação para comemorar.
