O empate por 2 a 2 entre Santos e Flamengo, na Vila Belmiro, não terminou com o apito final. Um dia depois de perder uma vantagem de dois gols, o Flamengo divulgou uma nota oficial com críticas contundentes à arbitragem de Anderson Daronco e ao trabalho de Rodolpho Toski Marques no VAR. O clube anunciou que apresentará uma representação à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e apontou três lances que, em sua avaliação, interferiram diretamente no resultado.
A reclamação envolve a expulsão de Jorginho, os dois pênaltis convertidos por Neymar e uma entrada de Barreal em Carrascal que, segundo o Flamengo, deveria ter resultado em cartão vermelho para o jogador santista.
O protesto ganhou dimensão porque o empate ocorreu em um momento decisivo do Campeonato Brasileiro. O Flamengo abriu 2 a 0, sofreu a reação do Santos no segundo tempo e viu o Palmeiras se aproximar da liderança. Após a 29ª rodada, a equipe rubro-negra tinha 61 pontos, apenas um a mais que o rival paulista.
Flamengo acusa arbitragem de falta de critério
Na nota oficial, o Flamengo classificou a atuação de Daronco e Toski como marcada por “erros graves, falta de critério e completa ausência de autoridade”.
O clube argumenta que as decisões tomadas durante a partida tiveram consequências desproporcionais e critica especialmente a revisão que terminou com pênalti para o Santos e expulsão de Jorginho.
A diretoria rubro-negra também questionou a diferença de rigor entre os lances. Para o Flamengo, Barreal deveria ter sido expulso por uma entrada dura em Carrascal, enquanto a mão de Jorginho não justificaria a combinação de pênalti e cartão vermelho.
É importante separar, porém, a posição do clube das decisões da arbitragem. A nota representa a interpretação do Flamengo sobre os lances, não uma conclusão oficial de que houve erro em todas as marcações contestadas.
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Primeiro lance: por que o Flamengo queria a expulsão de Barreal?
Ainda no primeiro tempo, Barreal acertou Carrascal em uma disputa que o Flamengo considerou uma entrada violenta, com risco à integridade física do adversário.
O árbitro aplicou cartão amarelo, e o VAR não recomendou uma revisão para possível expulsão.
Na avaliação do clube carioca, a entrada se enquadrava como jogo brusco grave e deveria ter resultado em cartão vermelho direto. O Flamengo também questionou o fato de a equipe de vídeo não ter chamado Daronco para rever as imagens.
Esse é um dos pontos centrais do protesto: o clube entende que a arbitragem foi branda em um lance contra o Santos, mas rigorosa em uma jogada posterior envolvendo Jorginho.
A discussão, portanto, não é apenas sobre uma decisão isolada. O Flamengo questiona se o mesmo padrão disciplinar foi aplicado aos dois times durante a partida.
Segundo lance: a mão de Jorginho, o pênalti e a expulsão
A polêmica mais longa aconteceu no segundo tempo, quando o Flamengo vencia por 2 a 0.
Em uma disputa com Rony, Jorginho caiu e tocou a bola com o braço na linha da área. Inicialmente, Daronco marcou uma infração fora da área e mostrou cartão amarelo ao volante.
O VAR recomendou a revisão. Após analisar as imagens no monitor, o árbitro alterou a decisão, marcou pênalti para o Santos e expulsou Jorginho.
A partida ficou paralisada por 9 minutos e 56 segundos, em uma das revisões mais longas registradas no Brasileirão. Neymar converteu a cobrança e diminuiu para 2 a 1.
O Flamengo contesta tanto a interpretação do toque de mão quanto a expulsão. O clube sustenta que o movimento do braço foi involuntário e questiona se a jogada justificava a aplicação das duas punições.
O que a CBF explicou sobre o VAR?
Na sexta-feira, 9 de outubro, a CBF divulgou o áudio da revisão do lance. Na conversa, os árbitros discutem se a ação de Jorginho impediu uma oportunidade clara de gol — critério conhecido pela sigla inglesa DOGSO.
A equipe de vídeo entendeu que o toque de mão interrompeu a jogada em uma situação que justificava a expulsão. Depois de rever as imagens, Daronco confirmou o pênalti e o cartão vermelho.
A divulgação do áudio ajuda a esclarecer o raciocínio adotado pelos árbitros, mas não encerra a discussão pública sobre a interpretação da jogada. O Flamengo mantém sua contestação, enquanto a arbitragem sustenta a decisão tomada após a revisão.
Terceiro lance: o pênalti em Gabigol que definiu o empate
A reclamação rubro-negra não terminou com a expulsão.
Poucos minutos depois do primeiro pênalti, Gabigol caiu em uma disputa com Luiz Araújo, e Daronco marcou outra penalidade para o Santos.
Neymar voltou à marca da cal e converteu, deixando o placar em 2 a 2.
O Flamengo argumenta que não houve falta na origem da jogada e considera que a decisão resultou em mais um gol indevido do adversário.
Diferentemente do lance de Jorginho, esse segundo pênalti não teve seu áudio de VAR divulgado pela CBF na atualização de sexta-feira. Por isso, a explicação pública sobre os critérios da arbitragem permaneceu mais limitada nesse ponto.
Por que o protesto ganhou peso na disputa pelo título?
O momento do campeonato ajuda a explicar a reação do Flamengo.
Com 61 pontos, o time carioca permaneceu na liderança, mas viu o Palmeiras reduzir a diferença para apenas um ponto. Em uma disputa tão apertada, cada resultado pode alterar a margem de erro dos concorrentes.
O Flamengo também chamou atenção para suas estatísticas disciplinares. Segundo a nota, o clube tinha sete expulsões após 29 jogos, a segunda maior marca do campeonato, apesar de aparecer entre as equipes com menos faltas cometidas.
Esses números foram utilizados pelo clube para sustentar a alegação de falta de uniformidade nos critérios. Isoladamente, entretanto, eles não provam que as expulsões foram incorretas: cada lance precisa ser analisado de acordo com as regras e suas circunstâncias.
A reclamação também mira o próximo clássico
Outro trecho da nota provocou repercussão: o Flamengo questionou a escalação de Daronco e Toski para o clássico entre Palmeiras e Corinthians, marcado para domingo.
Como o Palmeiras é concorrente direto na disputa pela liderança, o clube carioca manifestou preocupação com a presença dos mesmos profissionais em uma partida capaz de influenciar a briga pelo título.
A reclamação, nesse caso, vai além do empate na Vila Belmiro. O Flamengo tenta colocar em debate a consistência dos critérios de arbitragem durante a reta final do campeonato.
O Palmeiras, por sua vez, reagiu publicamente à manifestação rubro-negra e criticou a estratégia de protestar contra a arbitragem em um momento decisivo da temporada. A troca de notas ampliou a tensão entre os clubes justamente quando a disputa pelo título está mais apertada.
O que pode acontecer agora?
O Flamengo anunciou que formalizará uma representação à CBF. O próximo passo é a entidade receber o documento e avaliar as reclamações pelos canais institucionais.
A representação não significa que o resultado será alterado. Tampouco garante punições aos árbitros ou revisão das decisões tomadas em campo. Eventuais medidas dependerão da análise da entidade e dos procedimentos aplicáveis.
A divulgação do áudio do VAR sobre a expulsão de Jorginho já ofereceu uma explicação oficial para um dos lances mais controversos. As outras reclamações, incluindo a entrada de Barreal e o segundo pênalti, continuam no centro do debate.
Flamengo x arbitragem: a polêmica vai além de um empate
O Flamengo deixou escapar uma vantagem de dois gols, perdeu Jorginho durante a reação santista e viu Neymar converter duas penalidades para decretar o empate. A arbitragem se tornou o principal assunto após a partida porque as decisões tiveram impacto direto no placar e no equilíbrio numérico do confronto.
Mas existem duas questões diferentes: se as decisões foram tecnicamente corretas e se a condução da partida manteve critérios consistentes. A primeira depende da análise de cada lance; a segunda também envolve a forma como a arbitragem administrou o jogo e utilizou o VAR.
A representação anunciada pelo Flamengo coloca essas questões formalmente diante da CBF, mas ainda não representa uma conclusão sobre a existência de erros.
Com apenas um ponto separando Flamengo e Palmeiras, o episódio ganhou um peso que vai além dos 90 minutos. O resultado está definido; agora, a disputa passa também pela interpretação das regras e pela cobrança por maior transparência na arbitragem brasileira.
