O Vasco pode entrar em uma nova era nesta sexta-feira (25). Às 14h, a Justiça do Rio realiza a audiência que pode definir o futuro da SAF do clube e confirmar a transferência de 90% do controle para a Almirante Participações, empresa ligada ao empresário Marcos Lamacchia.
Até o momento, a Almirante é a única interessada apta no processo e aparece como favorita para assumir o controle da SAF. Mas a audiência não é apenas uma formalidade: o modelo estabelecido pela Justiça permite que outro investidor apresente uma proposta, desde que cumpra as exigências do processo.
O que acontece às 14h?
A audiência será realizada na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro e terá participação fechada ao público.
O processo foi aberto pela Justiça para realizar a venda de 90% das ações da nova SAF do Vasco, dentro do processo de recuperação judicial do clube.
A Almirante Participações foi definida como stalking horse bidder, expressão usada para identificar a proposta-base de um processo competitivo.
Na prática, Lamacchia apresentou a oferta que serve como referência para a disputa.
Se nenhum concorrente apresentar uma proposta que avance no processo, a Almirante poderá ser declarada vencedora.
Mas existe uma particularidade importante: Lamacchia tem o direito de cobrir uma eventual oferta superior.
Por que existe um leilão se só há um interessado?
Essa é uma das principais dúvidas envolvendo a operação.
Mesmo com um acordo encaminhado entre Vasco e Lamacchia, a Justiça não poderia simplesmente entregar o controle da SAF ao empresário sem abrir um processo competitivo.
Como a operação ocorre dentro da recuperação judicial, é necessário criar uma oportunidade para que outros interessados apresentem propostas.
Por isso, a Almirante funciona como uma espécie de "régua" da disputa.
Ela estabelece uma proposta inicial e, caso outro investidor apareça com uma oferta superior, Lamacchia poderá igualá-la dentro das regras determinadas pela Justiça.
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Quem é Marcos Lamacchia?
Marcos Faria Lamacchia é empresário e aparece há meses como principal interessado na nova SAF do Vasco.
Ele é ligado à Almirante Participações e Empreendimentos S.A., empresa que apresentou a proposta-base para a aquisição.
Lamacchia também é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, fato que colocou a operação sob análise da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, a Anresf.
A agência abriu um procedimento para verificar se existe conflito de propriedade ou influência entre clubes que disputam a mesma competição. O processo é sigiloso e ainda não representa uma conclusão de irregularidade.
Quanto está envolvido na operação?
O negócio é de grande dimensão.
A proposta de Lamacchia prevê R$ 500 milhões em aportes destinados exclusivamente ao futebol, além de outras obrigações financeiras relacionadas à recuperação judicial.
O processo como um todo envolve uma negociação que gira em torno de R$ 3 bilhões, considerando as obrigações e compromissos relacionados à operação.
Em versões anteriores da proposta, também foram previstos investimentos em infraestrutura.
O projeto inclui R$ 120 milhões para o centro de treinamento do futebol profissional ao longo de dez anos e R$ 30 milhões para a estrutura das categorias de base em dois anos.
Além disso, a proposta estabelece mecanismos para manter os recursos da SAF direcionados ao futebol e prevê restrições à distribuição de dividendos durante determinado período.
O Vasco já recebeu dinheiro de Lamacchia
A relação entre as partes não começou agora.
A Almirante já depositou R$ 27 milhões em garantias para participar do processo.
Além disso, a empresa ligada a Lamacchia concedeu ao Vasco um empréstimo de R$ 150 milhões, autorizado pela Justiça dentro da recuperação judicial.
Existe ainda um histórico envolvendo a Crefisa.
Em 2025, o Vasco recebeu um empréstimo de aproximadamente R$ 82 milhões da Crefisa, que tem Leila Pereira como principal acionista. Caso Lamacchia assuma a SAF, esse valor será convertido em capital da nova estrutura, conforme as regras da operação.
E se aparecer outro interessado?
O cenário mais simples é a confirmação da Almirante.
Mas a Justiça abriu espaço para uma disputa.
Caso outro investidor apresente uma proposta válida e superior, a Almirante terá a possibilidade de cobrir essa oferta.
Existe ainda uma proteção importante para Lamacchia: se outro grupo vencer definitivamente a disputa e a operação for concluída, há previsão de R$ 50 milhões de compensação à Almirante pelo papel de proposta-base.
Por isso, o fato de Lamacchia ser o único interessado apto até agora não significa que o resultado esteja juridicamente encerrado antes da audiência.
O que muda no Vasco se Lamacchia vencer?
A principal mudança será o controle de 90% da SAF.
Isso significa que o futebol profissional passará para uma nova estrutura empresarial, enquanto o Club de Regatas Vasco da Gama continuará existindo como associação.
A operação, portanto, não significa o desaparecimento do Vasco associativo.
O que muda é quem terá o controle da estrutura responsável pelo futebol.
O projeto também prevê investimentos de longo prazo e compromissos específicos com futebol profissional, categorias de base e infraestrutura.
A venda termina hoje?
Não necessariamente.
Mesmo após a definição do vencedor do processo competitivo, existem etapas posteriores.
A própria documentação do processo prevê ritos internos no Vasco, incluindo a constituição da nova SAF e aprovações previstas na estrutura do clube.
Além disso, existe o procedimento da Anresf para avaliar o possível conflito de propriedade relacionado ao parentesco entre Lamacchia e Leila Pereira.
O prazo estabelecido no processo para conclusão da operação é 30 de setembro de 2026.
O que pode acontecer depois das 14h?
Existem, basicamente, três caminhos:
1. Almirante é a única proposta válida:
Lamacchia avança como vencedor do processo competitivo.
2. Surge uma proposta superior:
A Almirante terá a possibilidade de cobrir a oferta dentro das regras estabelecidas.
3. O processo não é concluído imediatamente:
A Justiça pode determinar novas etapas antes da efetivação definitiva da operação.
Por isso, 14h é o início de uma decisão importante, mas não necessariamente o último ato de toda a venda da SAF.
O Vasco chega a esta sexta-feira diante de uma das decisões mais importantes de sua história recente.
Às 14h, a Justiça abre a audiência que pode colocar a Almirante Participações, de Marcos Lamacchia, no controle de 90% da SAF vascaína.
A proposta prevê R$ 500 milhões destinados exclusivamente ao futebol, além de compromissos com recuperação judicial, CT e categorias de base.
Mas o leilão ainda precisa respeitar as regras do processo competitivo.
Por isso, o ponto central desta sexta-feira não é simplesmente perguntar se "o Vasco será vendido".
A pergunta é: quem terminará o processo com o controle da SAF e quais serão os próximos passos para transformar essa decisão em uma nova estrutura para o futebol do clube?
A resposta começa a aparecer às 14h.
