O Náutico decidiu mudar completamente o comando do futebol às vésperas de um dos jogos mais importantes da temporada. Na quarta-feira, 23 de setembro, o clube anunciou a saída de Hélio dos Anjos e Guilherme dos Anjos, pai e filho que comandavam a equipe e também participavam diretamente da gestão do futebol.
A decisão aconteceu apenas quatro dias antes do clássico contra o Sport, marcado para sábado, nos Aflitos, pela 30ª rodada da Série B. E os resultados recentes foram apenas uma parte da explicação para a ruptura.
Por que o Náutico demitiu os dois?
O Náutico chegou ao ponto de romper com a comissão técnica depois de um processo de desgaste que vinha se acumulando há semanas.
A equipe perdeu rendimento na Série B, mas a relação entre Hélio e diferentes setores do clube também foi se deteriorando. Segundo o ge, o acúmulo das funções de treinador e gestor do futebol foi um dos principais fatores que contribuíram para o problema.
Hélio era responsável pela montagem do elenco, enquanto Guilherme, que inicialmente era auxiliar, passou a dividir com o pai o comando da equipe.
Na prática, pai e filho concentravam uma parcela significativa das decisões do futebol alvirrubro.
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O problema chegou ao vestiário
O desgaste também atingiu a relação com os jogadores.
Durante a janela de transferências, alguns atletas foram informados de que não estavam nos planos para a sequência da temporada. Mesmo assim, alguns continuaram sendo utilizados, enquanto outros passaram a ter menos espaço.
A situação provocou incômodo dentro do elenco.
O momento mais delicado ocorreu depois do empate por 1 a 1 com a Ponte Preta, em agosto.
Hélio e Guilherme fizeram cobranças duras ao grupo, o que gerou reações dos jogadores. A diretoria precisou então conversar com lideranças do elenco e tentar estabelecer um pacto para manter o objetivo de permanência na Série B.
O problema, porém, não terminou ali.
Diretoria também perdeu a confiança
Após a derrota para o América-MG, a diretoria convocou uma reunião somente com os jogadores.
A comissão técnica não havia sido chamada.
Mesmo assim, Hélio e Guilherme apareceram no auditório durante o encontro, segundo relatos obtidos pelo ge.
O episódio aumentou o desgaste entre os profissionais e a direção do clube.
A relação chegou ao limite depois da derrota por 3 a 0 para o Cuiabá, na segunda-feira.
A diretoria começou a procurar alternativas no mercado para substituir os treinadores. A informação chegou até Hélio, que ficou irritado com a situação.
A crítica que virou o estopim
O capítulo final aconteceu antes do treino da quarta-feira.
Hélio conversou com os jogadores e criticou duramente o diretor de futebol Ítalo Braga.
O dirigente não estava presente na reunião.
Para o presidente Bruno Becker, aquele episódio foi a gota d'água.
O mandatário já considerava uma troca, mas pretendia esperar até encontrar um substituto. Depois do episódio, porém, entendeu que não havia mais ambiente para manter Hélio e Guilherme no comando.
Após o treinamento, Becker chamou os dois e comunicou oficialmente a demissão.
O momento não poderia ser mais delicado
A mudança acontece justamente quando o Náutico entra em uma sequência decisiva da Série B.
O time ocupa atualmente a 14ª posição, com 38 pontos, oito acima do Avaí, primeiro clube dentro da zona de rebaixamento.
A distância para o Z4 ainda oferece margem de segurança, mas o cenário ficou mais apertado depois da sequência recente.
Antes da crise, o Náutico chegou a passar oito partidas sem perder na Série B. Agora, são três jogos consecutivos sem vitória e a equipe vem de uma derrota pesada para o Cuiabá.
É justamente nesse contexto que o clube decidiu trocar o comando.
E o próximo jogo é contra o Sport
O primeiro desafio do Náutico após a saída de Hélio e Guilherme será justamente contra o Sport, no sábado, nos Aflitos.
O clássico tem um peso ainda maior porque os dois clubes vivem uma temporada marcada por mudanças no comando.
O Sport, inclusive, também demitiu Gilmar Dal Pozzo em setembro e chegou a procurar seu quarto treinador da temporada.
Além da rivalidade, existe uma história recente entre os dois clubes.
Na final do Campeonato Pernambucano deste ano, o Sport venceu o Náutico por 3 a 0 nos Aflitos e ficou com o título estadual.
Agora, o Náutico terá a oportunidade de responder justamente no mesmo estádio.
Hélio e Guilherme deixam legado positivo
Apesar da crise que levou à saída, a passagem da dupla não pode ser resumida apenas aos últimos resultados.
Hélio e Guilherme chegaram ao Náutico em abril de 2025 e participaram diretamente da campanha que levou o clube de volta à Série B.
Em 66 jogos no período, foram 29 vitórias, 17 empates e 20 derrotas, com 52,5% de aproveitamento.
Em 2026, a equipe ainda chegou à decisão do Campeonato Pernambucano, embora tenha perdido a final para o Sport.
O problema foi que o desempenho construído durante o acesso não se sustentou na reta final da Série B.
Uma mudança arriscada na reta final
O Náutico agora precisa encontrar rapidamente uma solução.
A equipe tem 38 pontos e está oito acima da zona de rebaixamento, mas restam partidas suficientes para que uma sequência ruim volte a colocar o clube sob pressão.
E a primeira partida após a mudança será justamente um clássico.
O cenário deixa pouco espaço para adaptação: o novo comando terá de assumir uma equipe que conhece pouco, em um jogo de enorme peso emocional e com a temporada entrando em sua fase decisiva.
A demissão de Hélio e Guilherme dos Anjos não foi provocada apenas pela derrota para o Cuiabá.
O resultado acelerou uma ruptura que já vinha sendo construída por queda de rendimento, desgaste com jogadores e problemas na relação com a diretoria.
A crítica de Hélio ao diretor Ítalo Braga foi o episódio que encerrou o ciclo.
Agora, o Náutico terá de tentar reorganizar o futebol em poucos dias e justamente antes do clássico contra o Sport.
A crise chegou ao comando. E o próximo capítulo será disputado dentro dos Aflitos.
