O que está acontecendo entre John Textor e a direção do Botafogo?

 

John Textor e Botafogo: entenda a disputa pelo controle da SAF

O Botafogo vive uma disputa que vai muito além das quatro linhas.

Enquanto o time tenta reorganizar sua temporada com a chegada de Tite, John Textor voltou a ocupar o centro dos bastidores do clube e intensificou a tentativa de recuperar o controle da SAF.

O empresário americano afirma que continua sendo o proprietário de 90% da SAF e, nos últimos dias, conseguiu uma decisão favorável na Justiça dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a direção do Botafogo Social segue conduzindo o processo de transição envolvendo a GDA Luma, empresa do mexicano Gabriel de Alba.

O resultado é uma disputa societária que envolve Textor, o clube social, a Eagle Football, a GDA Luma e diferentes processos judiciais.

Mas afinal, o que está acontecendo?

Textor quer voltar ao comando da SAF

John Textor perdeu o controle da SAF do Botafogo em abril e, desde então, tenta recuperar o poder por meio de ações judiciais.

A novidade mais recente veio dos Estados Unidos.

Em decisão publicada em setembro, a Justiça da Flórida reconheceu Textor como proprietário de 90 mil ações ordinárias Classe B da SAF, correspondentes a 90% do capital social e dos direitos de voto, dentro da estrutura societária discutida no processo.

Textor passou a usar a decisão como argumento para sustentar que deveria voltar a comandar o futebol do Botafogo.

O empresário também afirmou que pretende apresentar a decisão nos processos que correm em outros países.

Mas existe uma ressalva importante: a decisão americana não significa, automaticamente, que Textor reassumiu o controle operacional do Botafogo no Brasil.

O próprio ge explica que a situação societária brasileira ainda depende dos processos em andamento no país e que as decisões internacionais ainda não foram homologadas pelo Superior Tribunal de Justiça.

E onde entra João Paulo Magalhães?

No outro lado da disputa está o Botafogo Social, atualmente liderado pelo presidente João Paulo Magalhães Lins.

O clube associativo passou a ter papel central na administração da SAF durante a transição.

Em julho, o Botafogo Social acionou um mecanismo previsto no acordo de acionistas para assumir o controle da SAF. Com isso, passou a deter 51% das ações, enquanto a Eagle ficou com os 49% restantes.

João Paulo também se tornou o principal elo entre o Botafogo e Gabriel de Alba, responsável pela GDA Luma.

Segundo o ge, foi o presidente do clube social quem trabalhou diretamente para transformar a GDA de credora em potencial nova controladora da SAF.

É justamente esse processo que Textor tenta impedir.

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A GDA Luma é a terceira peça da disputa

Gabriel de Alba entrou no cenário do Botafogo inicialmente como credor.

A GDA Luma, porém, passou a negociar uma posição muito maior dentro da estrutura do clube.

Até setembro, segundo o ge, o empresário mexicano havia colocado cerca de US$ 50 milhões, aproximadamente R$ 255 milhões, no Botafogo.

Parte desse dinheiro foi utilizada para resolver pendências que envolviam transfer ban e outros compromissos financeiros da SAF.

O objetivo do processo de transição é que a GDA assuma oficialmente o controle do futebol.

Só que Textor contesta justamente a validade dessa estrutura.

E é aí que a disputa ficou ainda mais complicada.

Por que Textor voltou a criticar a direção?

Textor chegou a adotar um discurso mais conciliador recentemente.

Durante uma visita a General Severiano, em 19 de setembro, o empresário disse que ainda se sentia em casa e afirmou que gostaria de construir uma ponte com o clube social.

Na ocasião, também agradeceu João Paulo Magalhães pela recepção.

Pouco depois, porém, o tom voltou a subir.

Textor passou a contestar publicamente a condução da transição e acusou o clube social de dificultar alternativas de financiamento para a SAF.

Segundo a versão apresentada pelo empresário, ele teria tentado viabilizar novas fontes de recursos para o Botafogo, incluindo um aporte pessoal de US$ 10 milhões, propostas de investidores e operações envolvendo atletas.

Essas são alegações de Textor.

Fontes ouvidas pela ESPN contestaram a versão e afirmaram que as operações defendidas pelo americano não poderiam ser executadas da maneira apresentada por ele.

Por isso, a disputa não é apenas sobre quem possui as ações.

É também uma batalha sobre quem é responsabilizado pela crise financeira do Botafogo.

O clube já havia criticado duramente a gestão Textor

A relação entre as partes começou a se deteriorar antes dessa nova rodada de ataques.

Em maio, quando a SAF entrou com pedido de recuperação judicial, o Botafogo criticou publicamente a gestão de Textor e afirmou que havia existido um “absoluto descompromisso com a estabilidade financeira e institucional” da empresa.

A recuperação judicial veio depois de uma sequência de problemas financeiros, incluindo transfer bans e dificuldades para honrar compromissos.

Assim, a discussão atual carrega também uma disputa sobre o passado recente.

Textor sustenta que tentou colocar dinheiro e encontrar soluções para a SAF.

A administração atual sustenta uma narrativa diferente sobre a origem dos problemas.

As duas versões estão sendo discutidas nos processos judiciais.

A assembleia de 24 de setembro pode ser importante

Enquanto Textor tenta recuperar o controle na Justiça, o Botafogo Social e a SAF avançam em outra direção.

Está marcada para 24 de setembro uma Assembleia Geral Extraordinária que discutirá um aumento de capital da SAF.

A proposta prevê a emissão de 200 milhões de novas ações ordinárias Classe B, ao preço de R$ 0,01 cada, totalizando R$ 2 milhões.

O dinheiro teria utilização imediata no pagamento de parte da folha salarial dos funcionários da SAF.

A aprovação também pode iniciar um processo de diluição da participação da Eagle.

Por isso, a reunião é considerada um passo importante para a futura transferência do controle para a GDA Luma.

E isso explica por que o momento é tão sensível.

Botafogo pode ter três forças disputando espaço

A estrutura atual pode ser resumida em três grupos:

GrupoO que busca
John TextorRecuperar o controle da SAF e sustenta que é proprietário de 90% das ações
Botafogo SocialManter o controle durante a transição e conduzir a reorganização societária
GDA LumaTornar-se oficialmente a nova controladora da SAF

O problema é que as três posições estão conectadas.

Se Textor conseguir validar sua posição nos tribunais brasileiros, o processo de transferência para a GDA pode ser afetado.

Se a estrutura conduzida pelo clube social avançar, a participação de Textor pode ser ainda mais contestada na prática.

E a assembleia desta semana pode alterar novamente a estrutura acionária.

E o que acontece com o futebol?

Essa talvez seja a consequência mais importante para o torcedor.

O Botafogo tenta montar uma nova fase esportiva ao mesmo tempo em que enfrenta uma disputa societária.

O clube contratou Tite até 2028, enquanto a estrutura administrativa continua em transição.

A equipe também passa por dificuldades financeiras e esportivas.

Ou seja, decisões sobre investimentos, folha salarial, contratações e planejamento podem ficar diretamente ligadas à solução do conflito societário.

Não por acaso, Textor argumenta que a estabilidade financeira depende da entrada de novos recursos, enquanto a atual estrutura trabalha para consolidar uma nova governança.

O ponto central: quem terá o controle do Botafogo?

A disputa entre Textor e a direção do Botafogo ainda está longe de ser encerrada.

A decisão favorável ao empresário nos Estados Unidos fortaleceu sua posição jurídica internacional, mas não encerrou automaticamente a disputa no Brasil.

Ao mesmo tempo, o clube social segue conduzindo a transição para a GDA Luma e prepara uma assembleia que pode provocar uma nova alteração na estrutura acionária.

É por isso que os próximos dias podem ser importantes para entender o futuro da SAF.

O que está em jogo não é apenas uma discussão entre John Textor e João Paulo Magalhães.

É a definição de quem terá poder para decidir os próximos passos do futebol do Botafogo — e qual será a estrutura financeira e administrativa responsável por sustentar o clube nos próximos anos.

Por enquanto, a única certeza é que a disputa continua.

E ela está sendo travada simultaneamente nos tribunais, nas assembleias e na arena pública.

Bruno Santana

Formado em Análise e Desenvolvimento de sistemas , mas apaixonado por futebol e escritos nas horas vagas

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