O São Paulo entrou novamente no radar de uma punição que pode marcar a história do futebol brasileiro. O clube tem até segunda-feira, 28 de setembro, para formalizar um acordo com o Novorizontino e evitar o primeiro transfer ban aplicado pela nova estrutura nacional de fair play financeiro.
A dívida envolve a contratação do meia Djhordney e chegou a aproximadamente R$ 1,1 milhão, considerando juros, correção e multa. O São Paulo encaminhou um novo acordo com o Novorizontino para parcelar o débito até o fim da temporada, mas ainda precisava concluir os procedimentos burocráticos dentro do prazo estabelecido pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF).
São Paulo tem prazo até segunda-feira
A origem do problema está em um acordo de R$ 1 milhão, dividido inicialmente em cinco parcelas de R$ 200 mil, pela contratação de Djhordney.
Nenhuma das parcelas previstas foi quitada. Diante do atraso, o Novorizontino levou o caso à ANRESF, que determinou em agosto que o São Paulo teria 45 dias para regularizar a situação.
Caso não apresentasse a quitação ou um novo acordo aceito pelo credor, o clube ficaria sujeito ao transfer ban nacional.
Agora, a situação avançou.
São Paulo e Novorizontino chegaram a um entendimento para um novo parcelamento, com previsão de pagamento até o fim de 2026. O que falta é concluir a formalização para que o acordo seja apresentado à ANRESF dentro do prazo.
O detalhe que transforma o caso em algo inédito
O caso ganhou repercussão porque a ANRESF começou a operar em 2026 como órgão responsável pela fiscalização do sistema brasileiro de sustentabilidade financeira.
O São Paulo foi o primeiro clube da Série A a ser colocado sob risco de um transfer ban dentro desse novo mecanismo, após a denúncia do Novorizontino.
A punição, portanto, não seria simplesmente mais uma cobrança envolvendo o clube.
Seria um dos primeiros testes concretos do novo sistema de fair play financeiro brasileiro.
São Paulo já sofreu um transfer ban da Fifa em 2026
O problema com o Novorizontino também chama atenção porque o São Paulo já enfrentou uma punição semelhante nesta temporada.
Em julho, a Fifa aplicou um transfer ban ao Tricolor por causa de uma dívida com a Lazio, relacionada à contratação de Marcos Antônio.
A pendência envolvia uma parcela de 1,05 milhão de euros, aproximadamente R$ 6,2 milhões na época. O São Paulo quitou o valor no início de agosto e encerrou a punição, permitindo novamente o registro de jogadores.
Ou seja: em poucos meses, o clube passou a lidar com dois processos diferentes envolvendo bloqueios de registros.
A diferença é que o primeiro veio da FIFA, enquanto o novo caso envolve diretamente o sistema brasileiro de fair play financeiro.
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O transfer ban teria efeito imediato?
Existe um detalhe importante.
Mesmo que o São Paulo não consiga evitar a punição, o impacto esportivo imediato tende a ser limitado porque a janela de transferências já está fechada.
O transfer ban, porém, pode impedir o clube de registrar novos jogadores e contratos enquanto a pendência não for solucionada, atingindo principalmente a próxima janela caso o problema permaneça aberto.
Por isso, a diretoria trabalha para resolver a situação antes que ela se transforme em uma nova dor de cabeça para o planejamento de 2027.
Quem é Djhordney, pivô da dívida?
Djhordney foi formado pelo Novorizontino, passou pelas categorias de base do Palmeiras e chegou ao São Paulo ainda jovem.
Em 2026, o meio-campista começou a ganhar espaço no profissional.
O jogador já soma nove partidas pelo time principal do São Paulo na temporada e ganhou ainda mais atenção recentemente, justamente enquanto o clube enfrenta problemas financeiros e busca alternativas para o elenco.
A situação cria uma curiosidade dentro da história: o atleta que originou a dívida também passou a fazer parte dos planos esportivos do clube.
A crise financeira volta ao centro das atenções
O episódio também expõe uma questão maior no São Paulo.
A dívida de aproximadamente R$ 1 milhão não é, isoladamente, um valor capaz de explicar a situação financeira do clube. O que chama atenção é a necessidade de recorrer a acordos e renegociações para evitar punições que podem afetar o planejamento esportivo.
O próprio São Paulo trabalha para melhorar o fluxo de caixa e aguarda, entre outras medidas, a votação de um acordo com a Ticketmaster que prevê R$ 110 milhões de adiantamento e outros R$ 30 milhões na assinatura, segundo o ge.
Nesse cenário, cada pendência financeira ganha peso maior.
Segunda-feira será o novo capítulo
O São Paulo conseguiu avançar justamente no momento em que o prazo se aproximava do fim.
O acordo com o Novorizontino representa um caminho para evitar a punição, mas ainda depende da formalização entre os clubes e da apresentação à ANRESF.
A segunda-feira, portanto, será importante não apenas pelo valor de R$ 1 milhão envolvido.
Ela pode definir se o São Paulo será efetivamente o primeiro clube a sofrer um transfer ban punitivo da nova agência brasileira de fair play financeiro ou se o acordo será suficiente para encerrar o caso.
E existe uma diferença importante: desta vez, o problema não veio de uma entidade internacional.
Ele está sendo resolvido dentro do próprio futebol brasileiro.
O caso Djhordney transformou uma dívida relativamente pequena em um problema de grande repercussão para o São Paulo.
Depois de enfrentar um transfer ban da Fifa por causa da Lazio, o Tricolor agora precisou negociar com o Novorizontino para evitar uma segunda punição na mesma temporada — desta vez dentro do novo sistema brasileiro de fair play financeiro.
O acordo encaminhado dá ao clube uma saída, mas 28 de setembro é a data que pode definir se a crise terminará em uma renegociação ou em uma punição inédita.
