Santos cobra R$ 12,9 milhões por JP Chermont, e clube árabe pede prazo sem data para pagar

 

Santos espera R$ 12,9 milhões do Sharjah por JP Chermont

O Santos esperava transformar a venda de JP Chermont em dinheiro imediato para aliviar as contas do clube. O planejamento, porém, esbarrou em um problema: o Sharjah FC, dos Emirados Árabes Unidos, ainda não depositou os US$ 2,5 milhões previstos à vista pela transferência do lateral-direito, quantia estimada em R$ 12,9 milhões.

A situação ganhou um elemento delicado porque, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira (14), o clube árabe pediu um prazo sem data definida para realizar o pagamento e solicitou que a diretoria santista não levasse a cobrança à FIFA. O Santos decidiu, por enquanto, aguardar e tentar resolver a pendência diretamente com os dirigentes do Sharjah.

Embora o atraso aumente a preocupação na Vila Belmiro, ainda não é correto tratar o caso como um calote definitivo. O valor continua pendente, mas a negociação entre os clubes segue em uma tentativa de solução sem disputa formal na entidade máxima do futebol.

Dinheiro da venda faria parte do plano para pagar o elenco

O problema vai além de uma transferência internacional que ainda não foi quitada. O Santos havia planejado utilizar parte do dinheiro da negociação para regularizar pagamentos de direitos de imagem de seus jogadores, uma obrigação que já pressionava o orçamento do departamento de futebol.

A expectativa era que a entrada dos recursos ajudasse a reduzir os atrasos com o elenco profissional. Sem o depósito do Sharjah, a diretoria precisou buscar outras fontes de receita para cumprir parte desse compromisso.

A alternativa encontrada foi utilizar recursos relacionados ao acordo com a Adidas, futura fornecedora de material esportivo do clube. A verba permitiu pagar um mês de direitos de imagem, mas, conforme as informações divulgadas pela imprensa, ainda havia outra mensalidade pendente.

Esse detalhe mostra por que o atraso preocupa: quando uma receita prevista deixa de entrar, o clube precisa reorganizar o caixa e decidir quais compromissos serão pagos primeiro. O dinheiro que deveria ajudar a resolver uma pendência acaba tendo de ser substituído por outra fonte, que também poderia estar reservada para despesas futuras.

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Venda de JP Chermont pode render mais do que o valor inicial

A negociação de JP Chermont foi encaminhada no fim de setembro. Na estrutura divulgada à época, o Santos esperava receber US$ 2,5 milhões à vista, além de possíveis US$ 1 milhão adicionais vinculados ao cumprimento de metas previstas no acordo.

O negócio também envolveu condições relacionadas à participação do Coritiba, clube pelo qual o lateral atuava por empréstimo, e à manutenção de uma parcela dos direitos econômicos do jogador pelo Santos. Portanto, os US$ 2,5 milhões em atraso representam a parte fixa prevista para pagamento imediato, e não necessariamente todo o valor que a transferência poderá movimentar.

A diferença é importante para entender a situação financeira. Bônus condicionados a metas futuras não substituem o dinheiro que deveria entrar no momento combinado. Para cobrir salários, direitos de imagem e outras despesas correntes, o clube precisa contar com receitas disponíveis, não apenas com valores que dependem de acontecimentos posteriores.

Por que o Santos ainda não acionou a FIFA?

A decisão de aguardar indica que a diretoria tenta preservar a relação comercial com o Sharjah e encontrar uma saída negociada. Uma reclamação formal poderia transformar a cobrança em uma disputa entre clubes, enquanto o diálogo mantém aberta a possibilidade de um acordo direto.

Isso não significa, porém, que o Santos tenha desistido definitivamente de cobrar a dívida pelos meios oficiais. Caso o pagamento continue sem solução, o clube poderá avaliar as medidas previstas nos regulamentos aplicáveis e no contrato da transferência.

Para que a cobrança avance com segurança, alguns pontos são decisivos: verificar as cláusulas sobre vencimento e inadimplência, documentar as solicitações feitas ao comprador e confirmar se houve algum compromisso formal que tenha alterado a data de pagamento.

Até o momento, as informações divulgadas não apontam uma nova data definitiva para o depósito nem detalham garantias oferecidas pelo Sharjah. Sem esses elementos, não é possível afirmar quando o dinheiro chegará ou qual será o próximo passo jurídico do Santos.

Atraso aumenta a pressão sobre o caixa santista

O caso de JP Chermont surge em um momento em que o Santos já precisa administrar outras obrigações financeiras e cobranças relacionadas a dívidas do clube. A sequência de compromissos torna a previsibilidade das receitas especialmente importante: atrasos podem obrigar a diretoria a remanejar recursos e dificultar o planejamento de curto prazo.

O ponto central não é apenas o tamanho da transferência, mas a diferença entre uma receita anunciada e uma quantia efetivamente disponível. Para um clube que conta com entradas específicas para honrar despesas do elenco, a falta de pagamento pode provocar efeitos em cadeia, mesmo quando a venda foi acertada e o valor está previsto contratualmente.

A diretoria agora precisa equilibrar dois objetivos: recuperar os US$ 2,5 milhões e evitar que a negociação se transforme em um conflito maior sem necessidade. O diálogo pode ser útil, desde que venha acompanhado de uma perspectiva concreta de pagamento.

Por enquanto, o Santos segue à espera do dinheiro da venda de JP Chermont. O pedido do Sharjah para ganhar tempo foi aceito neste primeiro momento, mas a ausência de uma data definida mantém a incerteza. Se a promessa de pagamento não se transformar em depósito, o clube brasileiro terá de reavaliar até quando vale a pena esperar antes de formalizar a cobrança.

Bruno Santana

Formado em Análise e Desenvolvimento de sistemas , mas apaixonado por futebol e escritos nas horas vagas

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