O Maringá Futebol Clube está diante do maior capítulo de sua história. Em apenas 16 anos de existência, o clube paranaense saiu de um projeto de reconstrução do futebol local para conquistar uma vaga inédita na Série B do Campeonato Brasileiro de 2027. A classificação foi confirmada com uma vitória por 2 a 0 sobre o Floresta, no Estádio Willie Davids, em 10 de outubro de 2026.
Os gols de Ronald Camarão e Paulinho garantiram a festa da torcida e coroaram uma trajetória construída com mudanças administrativas, planejamento esportivo e correções de rota nos momentos de maior pressão. Mais do que uma campanha bem-sucedida, o acesso representa uma oportunidade de consolidar o Maringá entre os clubes de maior projeção do futebol nacional.
1. A vitória contra o Floresta que entrou para a história
O cenário da última rodada da segunda fase da Série C exigia concentração máxima. Diante de sua torcida, o Maringá precisava administrar a pressão e confirmar o acesso contra um adversário que também disputava uma vaga na segunda divisão.
O Dogão fez valer o mando de campo e venceu por 2 a 0. Ronald Camarão abriu o placar no segundo tempo, com um chute de fora da área, e Paulinho ampliou em cobrança de falta. O resultado confirmou a classificação inédita e colocou o clube na decisão da Série C.
A campanha ganhou ainda mais significado porque o Maringá não chegou à reta decisiva com a classificação garantida. A equipe precisou reagir durante a competição e aproveitar as últimas rodadas da primeira fase para entrar no quadrangular decisivo em condições de lutar pelo objetivo.
O acesso também consolidou uma evolução recente: em 2024, o clube havia conquistado sua primeira vaga na Série C. Dois anos depois, deu outro salto e garantiu presença na Série B de 2027.
2. Da instabilidade à reação: a mudança no comando técnico
Uma das partes mais importantes da campanha foi a capacidade de reagir quando o desempenho esportivo ameaçava comprometer o planejamento da temporada.
Depois de uma primeira fase irregular, a diretoria decidiu trocar o comando técnico nas rodadas finais. Moisés Egert deixou o cargo, e Ivan Campanari, que já integrava a estrutura do clube, assumiu a equipe.
A escolha por uma solução interna se mostrou decisiva. Campanari conhecia o ambiente, parte dos jogadores e o trabalho desenvolvido anteriormente. Com pouco tempo para mudar o cenário, o treinador conseguiu recuperar a confiança do grupo e conduzir o Maringá à classificação para a fase decisiva.
A equipe venceu o Floresta fora de casa, superou o Botafogo-PB e conquistou pontos importantes na reta final. No quadrangular, manteve a competitividade necessária para chegar à última rodada dependendo do próprio desempenho.
A mudança demonstrou que uma temporada não é definida apenas pelo investimento feito antes do campeonato. A leitura do momento, a capacidade de tomar decisões e o aproveitamento dos recursos já disponíveis também podem determinar o futuro de um clube.
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3. A SAF e a transformação administrativa do Maringá
O crescimento do Maringá não começou em outubro de 2026. A transformação foi construída ao longo de vários anos, com mudanças na administração e na maneira de organizar o futebol.
Fundado em 2010 como Grêmio Metropolitano Maringá, o clube conquistou títulos estaduais nas divisões inferiores e passou a ganhar espaço no cenário paranaense. Em 2014, já utilizando o nome Maringá Futebol Clube, chegou à final do Campeonato Paranaense e estreou na Série D do Brasileiro.
O rebaixamento estadual de 2016 marcou outro ponto de mudança. A partir do fim daquele ano, uma nova gestão iniciou um processo de reorganização administrativa e esportiva, com o objetivo de recuperar competitividade e estabelecer bases mais consistentes para o crescimento.
Em 2022, o Maringá adotou o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF), estrutura que permite organizar a participação de investidores e a gestão empresarial do departamento de futebol conforme as regras aplicáveis.
A transformação não significou sucesso imediato, mas fez parte de um projeto que acumulou resultados importantes: finais do Campeonato Paranaense, participações de destaque na Copa do Brasil e o acesso à Série C em 2024.
Por que o modelo de gestão importa?
Uma estrutura administrativa mais profissional pode ajudar a organizar receitas, controlar despesas, planejar contratações e estabelecer metas esportivas. No entanto, a SAF, por si só, não garante títulos ou estabilidade financeira. Os resultados dependem da qualidade da gestão, da capacidade de investimento e das decisões tomadas ao longo das temporadas.
No caso do Maringá, o acesso à Série B representa um sinal de que o projeto conseguiu transformar parte desse planejamento em resultado dentro de campo. O próximo desafio será demonstrar que o modelo pode sustentar um nível de competição mais elevado.
4. Ronald Camarão, Paulinho e os nomes importantes do acesso
Uma campanha de acesso raramente depende de um único jogador. No Maringá, a combinação entre mudanças no comando técnico, recuperação coletiva e contribuições individuais foi fundamental para alcançar o objetivo.
Ronald Camarão: o gol que abriu o caminho
Ronald Camarão marcou o primeiro gol contra o Floresta e ajudou a transformar a tensão da decisão em uma comemoração histórica. O lance de fora da área colocou o Maringá em vantagem e aproximou a equipe da Série B.
Paulinho: precisão em um momento decisivo
O segundo gol, marcado por Paulinho em cobrança de falta, confirmou a vitória por 2 a 0 e deu ainda mais tranquilidade ao time. Em uma partida que valia o futuro esportivo do clube, a eficiência nas oportunidades foi determinante.
Ronald, Lucas Bonifácio e Negueba: continuidade do projeto
Além dos protagonistas da partida decisiva, jogadores como o zagueiro Ronald, o meio-campista Lucas Bonifácio e o atacante Negueba representam a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos. Os três fazem parte do grupo de atletas que permaneceram no clube desde a campanha de acesso à Série C, em 2024.
A permanência de jogadores identificados com o projeto pode ajudar a preservar referências dentro do elenco, mesmo em temporadas marcadas por reformulações. Com a chegada à Série B, o desafio será manter essa base e, ao mesmo tempo, elevar o nível de competitividade do grupo.
5. O que muda para o Maringá na Série B de 2027?
Disputar a Série B significa entrar em um ambiente de maior exposição nacional e enfrentar adversários com estruturas esportivas e financeiras bastante diferentes. O calendário mais exigente também aumenta a importância do planejamento do elenco e da preparação física.
A mudança de divisão pode ampliar as oportunidades comerciais, atrair patrocinadores e fortalecer a relação do clube com a torcida. Entretanto, esses benefícios não aparecem automaticamente: precisam ser convertidos em receitas, acordos comerciais e uma operação capaz de suportar os custos da nova realidade.
O presidente João Vitor Mazzer já destacou, em declarações publicadas pelo ge, que a chegada à Série B representa uma mudança significativa no patamar de recursos, na exposição e na folha de pagamento do clube.
Na prática, o Maringá precisará avaliar quais jogadores podem acompanhar o novo nível de exigência, identificar reforços para posições prioritárias e estabelecer um orçamento compatível com a competição.
Montar um elenco competitivo sem comprometer as contas
Contratar nomes conhecidos pode aumentar a expectativa da torcida, mas não representa garantia de desempenho. Para um clube em crescimento, o equilíbrio entre experiência, juventude, qualidade técnica e custo salarial será especialmente importante.
O planejamento também deverá considerar a profundidade do elenco, as suspensões, as lesões e a necessidade de manter regularidade ao longo de uma competição extensa. Uma equipe competitiva precisa de alternativas para diferentes situações, e não apenas de um time titular forte.
6. O maior desafio: permanecer na segunda divisão
Conquistar o acesso é uma realização histórica. Permanecer na Série B exige uma etapa diferente de trabalho: transformar o crescimento esportivo em estabilidade.
O Maringá terá de enfrentar clubes com experiência na competição e, em alguns casos, receitas superiores. A pressão por resultados também será maior, especialmente se a equipe atravessar uma sequência negativa durante o campeonato.
Por isso, o clube precisará evitar dois riscos comuns em projetos de ascensão: aumentar as despesas de maneira descontrolada e reformular excessivamente o elenco sem uma estratégia clara.
Preservar profissionais importantes, reforçar posições carentes, desenvolver atletas e manter uma administração responsável serão medidas relevantes. A capacidade de corrigir problemas durante a temporada poderá fazer a diferença entre uma campanha de luta contra o rebaixamento e uma trajetória mais tranquila.
Uma nova etapa para o futebol de Maringá
O acesso à Série B de 2027 representa o resultado de uma construção que atravessou diferentes fases. Desde a reorganização iniciada após o rebaixamento estadual até a transformação em SAF, o clube acumulou experiências e resultados que ajudaram a preparar o terreno para a conquista de 2026.
A vitória sobre o Floresta foi o momento decisivo, mas não explica sozinha a ascensão do Dogão. A reação esportiva sob o comando de Ivan Campanari, a contribuição dos jogadores e a continuidade do planejamento tiveram papel importante nessa trajetória.
Agora, o Maringá tem a oportunidade de consolidar sua presença entre os clubes de alcance nacional. O acesso já está garantido; o próximo passo será mostrar que a conquista não é um episódio isolado, mas o início de uma fase sustentável de crescimento.
Para a torcida, a Série B representa a chance de acompanhar o clube em um novo patamar. Para a diretoria, significa transformar a maior conquista da história do Maringá em uma base para os próximos anos.
