Richarlison acusa advogado de ficar com mansão de R$ 10 milhões; Willer Tomaz dá prazo de 72 horas

Richarlison x Willer Tomaz: disputa por mansão de R$ 10 milhões


 Uma disputa envolvendo o atacante Richarlison, do Tottenham, e o advogado Willer Tomaz ganhou um novo capítulo após declarações públicas do jogador sobre uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. O atleta afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões no imóvel e sustenta que perdeu a posse em meio a uma batalha judicial. Tomaz, por sua vez, contesta a versão e afirma que os envolvidos ligados ao jogador não conseguiram reverter as decisões judiciais.

O caso ganhou repercussão depois que Richarlison publicou um vídeo nas redes sociais no qual acusou Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro de terem conseguido a posse do imóvel de maneira irregular. O jogador declarou que não aceitou uma proposta de compra atribuída a Flávio e alegou que, posteriormente, a propriedade passou para pessoas ligadas ao advogado.

As declarações são acusações feitas pelo atleta, e não uma conclusão judicial de que houve apropriação ilegal. A defesa pública de Tomaz apresenta uma versão oposta: segundo ele, a situação foi discutida nos tribunais e terminou de forma favorável aos interesses relacionados à atual posse do imóvel.

Advogado lança desafio e promete transferir os direitos do imóvel

A resposta de Willer Tomaz veio acompanhada de um desafio público. O advogado estabeleceu um prazo de 72 horas para que Richarlison apresente documentos anteriores a julho de 2022 que comprovem sua ligação com a propriedade, além de comprovantes do pagamento dos R$ 10 milhões mencionados pelo jogador.

Entre os documentos citados por Tomaz estão uma escritura pública, um contrato de compra e venda registrado ou uma inscrição relacionada ao imóvel na Secretaria do Patrimônio da União (SPU). O advogado afirmou que, caso os documentos sejam válidos, transferirá ao atacante os direitos sobre a propriedade sem cobrar qualquer valor.

A iniciativa coloca a documentação no centro do confronto. Mais do que as declarações nas redes sociais, o ponto decisivo é esclarecer quais direitos foram negociados, quem realizou os pagamentos, quais registros existiam na época e como as decisões judiciais trataram a posse do imóvel.

Até o momento das reportagens consultadas, não havia confirmação pública de que Richarlison tivesse apresentado os documentos exigidos por Tomaz dentro do prazo anunciado. O desafio, portanto, deve ser entendido como uma declaração do advogado, e não como uma solução já concretizada para o caso.

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Como começou a disputa pela mansão em Angra dos Reis

Segundo Richarlison, o investimento ocorreu entre 2020 e 2021, durante a pandemia de Covid-19, em uma sociedade com Alencar da Silveira Júnior e Renato Velasco, ex-empresário do jogador. O atacante afirma que desembolsou cerca de R$ 10 milhões e que não recebeu de volta o dinheiro que diz ter aplicado no negócio.

A disputa judicial envolveu empresas relacionadas aos antigos ocupantes e aos direitos sobre o imóvel. Entre as empresas citadas nos processos estão a Sport 70 Intermediação de Negócios, ligada a Renato Velasco, e a RR7011 Brasil Participações e Empreendimentos, relacionada a Richarlison e ao pai do jogador.

A controvérsia passou pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). De acordo com as informações publicadas sobre o caso, decisões judiciais foram desfavoráveis às empresas que buscavam manter a posse, e parte dos envolvidos desistiu do processo em 2025. A disputa judicial, contudo, precisa ser descrita conforme o resultado e o alcance de cada decisão, sem transformar automaticamente uma derrota processual em prova de que todas as acusações de qualquer lado são verdadeiras.

Atualmente, a posse do imóvel é atribuída à WT Administração de Imóveis, empresa ligada a Willer Tomaz. O advogado sustenta que a situação jurídica favorece o lado que representa e também afirma que houve apuração policial anterior sem identificação de indícios suficientes de crime. Essa última informação corresponde à versão apresentada por Tomaz e deve ser diferenciada de uma decisão judicial sobre a titularidade ou a posse.

Flávio Bolsonaro nega envolvimento na aquisição

O senador Flávio Bolsonaro também foi citado por Richarlison nas acusações. O jogador afirma que o parlamentar teria demonstrado interesse no imóvel antes da mudança de posse. Flávio, por sua vez, nega ter comprado, vendido ou intermediado a propriedade e sustenta que seu nome apareceu no caso por ter sido indicado como testemunha.

Reportagens anteriores registraram que Flávio visitou a mansão com Willer Tomaz em 2021. A visita, isoladamente, não comprova participação irregular na aquisição nem demonstra que o senador tenha sido responsável pela mudança de posse. O parlamentar também afirmou que não era parte no processo judicial.

A distinção é importante porque o episódio reúne questões diferentes: a alegação de investimento feita por Richarlison, a disputa sobre os direitos de posse, a atuação do advogado e a participação atribuída ao senador. Cada ponto depende de evidências próprias e não deve ser tratado como se todos já tivessem sido comprovados.

O que pode acontecer agora

O próximo passo de maior visibilidade é a resposta de Richarlison ao prazo anunciado por Tomaz. Se o jogador apresentar documentos, o conteúdo e a validade deles poderão ser confrontados com os registros e decisões já existentes. Se não houver apresentação dentro do período proposto, isso não significa, por si só, que todas as questões jurídicas estejam definitivamente esclarecidas.

O caso também pode continuar repercutindo fora dos tribunais, mas declarações públicas não substituem a análise dos documentos nem alteram automaticamente decisões judiciais anteriores. Para esclarecer a controvérsia, será necessário verificar o histórico dos pagamentos, os direitos efetivamente negociados e o alcance das decisões que encerraram as ações.

Por enquanto, há duas versões incompatíveis: Richarlison afirma ter investido milhões e perdido o imóvel sem receber ressarcimento; Willer Tomaz diz que os direitos sobre a propriedade foram reconhecidos judicialmente e desafia o jogador a provar documentalmente sua ligação com o bem. O resultado desse confronto dependerá de evidências verificáveis, não apenas da força das declarações de cada lado.


Bruno Santana

Formado em Análise e Desenvolvimento de sistemas , mas apaixonado por futebol e escritos nas horas vagas

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