Como o São Paulo derrubou a maior hegemonia do futebol brasileiro nos últimos anos

 

Como o São Paulo derrubou a hegemonia do Corinthians

O São Paulo não conquistou apenas o Brasileirão Feminino de 2026. O clube conseguiu algo ainda maior: interrompeu uma das hegemonias mais impressionantes do futebol brasileiro nos últimos anos.

O empate por 1 a 1 no MorumBIS, neste sábado (3), confirmou o título tricolor por 3 a 2 no placar agregado. Na ida, o São Paulo já havia vencido o Corinthians por 2 a 1 na Neo Química Arena.

O resultado encerrou a sequência de seis títulos consecutivos do Corinthians na competição. As Brabas buscavam o heptacampeonato seguido, mas encontraram um adversário que chegou à decisão preparado para enfrentar justamente o time que dominava o futebol feminino nacional.

O São Paulo não ganhou o título por acaso

O primeiro sinal de que 2026 poderia ser diferente apareceu antes mesmo do mata-mata.

O São Paulo terminou a primeira fase na liderança, com 41 pontos em 17 rodadas, resultado de 13 vitórias, dois empates e duas derrotas. Foram 31 gols marcados e apenas 11 sofridos.

Foi a melhor pontuação do clube em uma primeira fase de Brasileirão Feminino.

A campanha deu ao time de Thiago Viana a confiança necessária para entrar no mata-mata sem depender exclusivamente de uma decisão contra o Corinthians.

E o caminho até a taça reforçou essa consistência.

Nas quartas de final, o São Paulo empatou por 0 a 0 com o Grêmio fora de casa e venceu a volta por 2 a 0. Depois, na semifinal, derrotou o Flamengo duas vezes: 3 a 1 no Rio de Janeiro e 1 a 0 no segundo jogo.

Só então veio o Corinthians.

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A final começou a ser ganha em Itaquera

O momento decisivo da final aconteceu antes mesmo de o São Paulo entrar no MorumBIS para decidir o campeonato.

Na Neo Química Arena, o Corinthians abriu o placar, mas o São Paulo reagiu e virou para 2 a 1.

Isso teve um peso enorme.

O Corinthians estava acostumado a controlar decisões nacionais e tinha a vantagem de jogar a segunda partida fora de casa apenas no sentido de enfrentar um estádio lotado. Dentro de campo, entretanto, precisava obrigatoriamente vencer para levar a disputa ao menos para os pênaltis.

O São Paulo, por outro lado, precisava apenas administrar a vantagem.

E fez isso.

Bia Menezes e Carlinha decidiram o título

No MorumBIS, Bia Menezes colocou o São Paulo na frente logo no primeiro tempo.

O Corinthians empatou com Juliete, mas não conseguiu encontrar o segundo gol.

A grande oportunidade veio aos 18 minutos da segunda etapa. Após revisão do VAR, o Corinthians ganhou um pênalti.

Era a chance de mudar completamente a decisão.

Mas Carlinha defendeu a cobrança de Gabi Zanotti.

A defesa manteve o São Paulo na frente no agregado e se transformou em um dos lances mais importantes da conquista. A equipe resistiu até o apito final e confirmou o empate que precisava.

O que mudou no São Paulo?

A conquista não parece ser resultado de uma aposta de curto prazo.

O próprio histórico do clube mostra uma construção gradual.

Thiago Viana, atual treinador, chegou ao São Paulo para trabalhar inicialmente com as categorias de base feminina. Entre 2017 e 2022, participou de um projeto que conquistou dez títulos oficiais de base e outros quatro em competições amadoras.

Em 2023, assumiu a equipe principal.

Um ano depois, o São Paulo chegou à final do Brasileirão. Em 2025, conquistou a Supercopa Feminina.

Agora, em 2026, veio o título brasileiro.

Ou seja: o São Paulo não precisou destruir o projeto anterior para vencer o Corinthians. A conquista foi consequência de uma evolução que já vinha acontecendo.

A base virou parte importante da estratégia

Esse talvez seja um dos pontos mais interessantes da quebra da hegemonia.

O São Paulo passou anos desenvolvendo jogadoras nas categorias de base e aumentando gradualmente a estrutura do futebol feminino. O projeto profissional ganhou continuidade, e Thiago Viana permaneceu no comando durante esse processo.

A renovação de contrato do treinador até dezembro de 2027, anunciada ainda em 2025, também mostrava a intenção de manter uma linha de trabalho.

Em 2026, essa combinação entre formação, continuidade e competitividade finalmente encontrou o resultado máximo.

E o título muda o patamar de cobrança para os próximos anos.

O Corinthians perdeu o título, mas a hegemonia explica o tamanho da conquista

É importante entender o tamanho do adversário.

O Corinthians vinha de seis títulos consecutivos do Brasileirão Feminino e buscava o sétimo seguido. O domínio era tão grande que a principal pergunta antes da decisão não era apenas quem seria campeão, mas se alguém finalmente conseguiria interromper a sequência corintiana.

O São Paulo conseguiu.

E fez isso justamente em uma final entre os dois clubes.

A vitória por 2 a 1 na Neo Química Arena foi fundamental para quebrar a lógica de uma decisão em que o Corinthians poderia controlar o confronto. Depois, o empate no MorumBIS completou a estratégia.

Foi uma conquista construída em dois jogos, não apenas em 90 minutos.

O MorumBIS mostrou que o futebol feminino mudou de escala

A festa da torcida também transformou a final em um marco fora das quatro linhas.

49.405 torcedores estiveram no MorumBIS para acompanhar a decisão.

Segundo a CBF, esse foi o novo recorde de público do Brasileirão Feminino, superando os 44.529 presentes na final de 2024, também entre São Paulo e Corinthians. O São Paulo afirma que a marca representa ainda o maior público de um jogo de futebol feminino entre clubes na América do Sul.

O número ajuda a explicar por que esse título pode representar mais do que uma simples troca de campeão.

A hegemonia acabou ao mesmo tempo em que o interesse pelo futebol feminino atingiu uma marca histórica de público.

E isso cria um cenário interessante para a modalidade.

O São Paulo agora virou o time a ser batido

O Corinthians passou anos ocupando esse posto.

Agora, a situação começa a mudar.

O São Paulo termina 2026 como campeão brasileiro, líder da primeira fase e dono de uma campanha de 17 vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas no campeonato.

Foram 40 gols marcados e 14 sofridos ao longo da competição.

Mais importante do que os números, porém, é a mensagem deixada pela final.

O Corinthians continua sendo uma potência, mas deixou de parecer inevitável.

O São Paulo mostrou que a hegemonia poderia ser quebrada — e fez isso diante de quase 50 mil pessoas.

A mudança de poder começou

Durante seis anos, o Brasileirão Feminino teve o mesmo campeão.

Em 2026, o São Paulo mudou essa história.

Não foi apenas uma vitória sobre o Corinthians. Foi a confirmação de que existe um novo candidato disposto a disputar o protagonismo da modalidade de forma permanente.

O mais simbólico é que a quebra da hegemonia aconteceu em uma temporada na qual o futebol feminino também bateu recorde de público.

O São Paulo derrubou o domínio do Corinthians justamente quando o futebol feminino brasileiro mostrou que nunca esteve tão grande.

Bruno Santana

Formado em Análise e Desenvolvimento de sistemas , mas apaixonado por futebol e escritos nas horas vagas

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