Carlo Ancelotti terminou a primeira Data Fifa pós-Copa do Mundo com uma certeza importante para a reconstrução da Seleção Brasileira: Danilo, do Botafogo, ganhou espaço no meio-campo.
O volante foi titular nos três amistosos disputados pelo Brasil, terminou o período como o jogador com mais minutos em campo e acumulou 222 minutos. Mais do que a quantidade, chamou atenção a forma como Ancelotti utilizou o jogador em diferentes estruturas.
A situação coloca Danilo em uma posição interessante dentro do novo ciclo da Seleção.
E inevitavelmente surge uma comparação: será que Ancelotti encontrou seu novo Casemiro?
A resposta ainda é cedo demais para ser definitiva, mas os primeiros sinais são importantes.
Danilo foi o jogador mais utilizado por Ancelotti
Entre os 26 convocados, ninguém disputou mais minutos do que Danilo nesta Data Fifa.
O jogador esteve em campo nas três partidas contra Austrália, Austrália novamente e Índia, somando 222 minutos. Ele foi titular em todos os compromissos.
O ranking dos jogadores mais utilizados ficou assim:
| Jogador | Minutos |
|---|---|
| Danilo | 222 |
| Vini Jr. | 192 |
| Bruno Guimarães | 189 |
| Estêvão | 172 |
| Matheuzinho | 164 |
| Marquinhos | 150 |
| Endrick | 139 |
Na outra ponta, Breno Bidon, do Corinthians, foi o jogador que menos atuou entre os convocados, com apenas 26 minutos.
Isso não significa necessariamente que Ancelotti já tenha definido sua equipe titular para o próximo ciclo.
Mas a minutagem mostra quais jogadores receberam maior atenção do treinador durante os testes.
E Danilo foi o principal deles.
O que Ancelotti está procurando no meio-campo?
O contexto ajuda a entender a importância do volante.
Depois da Copa do Mundo, Ancelotti iniciou um processo de renovação da Seleção e testou diferentes formações.
Contra a Austrália, por exemplo, o treinador utilizou uma estrutura com três meio-campistas, colocando Danilo ao lado de Bruno Guimarães e Gabriel Bontempo.
Em outros momentos, o Brasil voltou ao 4-2-4, com Danilo formando dupla com Bruno Guimarães.
Ou seja, o jogador não ficou preso a uma única função.
Essa versatilidade pode ser justamente uma das razões para sua utilização tão frequente.
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Danilo não é exatamente um novo Casemiro
A comparação precisa ser feita com cuidado.
Casemiro construiu sua carreira como um volante de proteção, especialista em ocupar a frente da defesa, ganhar duelos e dar equilíbrio ao time.
Danilo apresenta características diferentes.
O jogador do Botafogo pode atuar mais avançado, participar da construção e aparecer próximo à área adversária.
O próprio UOL destaca que Danilo pode ser visto como um possível herdeiro da posição de Casemiro, mas ressalta que os dois exercem funções táticas diferentes.
Por isso, talvez a melhor definição seja outra:
Danilo pode ser o novo homem de confiança de Ancelotti para organizar o meio-campo, sem necessariamente ser uma cópia de Casemiro.
Contra a Austrália, Danilo participou de três gols
A atuação mais impressionante aconteceu na vitória por 4 a 2 sobre a Austrália.
Danilo participou diretamente da construção de três dos quatro gols brasileiros.
No primeiro, iniciou a jogada com um passe para Rayan.
Depois, apareceu na área e finalizou uma sobra.
Mais tarde, sofreu o pênalti convertido por Raphinha.
E ainda participou da construção do gol marcado por Bruno Guimarães, ao lançar Vinicius Júnior na jogada.
Os números de passe também chamaram atenção.
Danilo terminou a partida com 38 passes certos e oito errados, além de duas faltas sofridas.
Não foi apenas uma atuação de combate.
Ele participou da construção ofensiva e apareceu em diferentes zonas do campo.
A saída de bola também pesa na escolha
Um dos pontos que favorecem Danilo é sua capacidade de participar da construção desde trás.
No primeiro amistoso contra a Austrália, o volante ficou em campo durante toda a partida e registrou 57 passes, com apenas nove erros.
Esse tipo de participação é importante para uma Seleção que tenta controlar mais o jogo com a bola.
Ancelotti parece buscar jogadores capazes de cumprir mais de uma função.
Danilo oferece exatamente isso.
Ele pode ajudar na saída, ocupar o meio, avançar para apoiar o ataque e ainda trabalhar sem a bola.
E os concorrentes?
A disputa pela posição está longe de estar encerrada.
Bruno Guimarães continua sendo um dos principais nomes do meio-campo brasileiro e também teve grande participação nesta Data Fifa, com 189 minutos.
Andrey Santos também aparece como alternativa importante, especialmente para uma função mais próxima daquela tradicionalmente desempenhada por Casemiro.
Gabriel Bontempo foi outro jogador observado por Ancelotti e recebeu 106 minutos nos três amistosos.
Douglas Luiz, por outro lado, teve somente 74 minutos.
E Breno Bidon, uma das novidades da convocação, participou de apenas 26 minutos.
Isso mostra que Ancelotti ainda está longe de fechar o setor.
Mas Danilo saiu na frente.
Por que Danilo ganhou tanta confiança?
Existe uma explicação simples: ele entregou em diferentes cenários.
Ancelotti pôde utilizá-lo como parte de uma dupla e também em uma linha de três.
O jogador respondeu com presença na construção, intensidade e participação ofensiva.
Além disso, a experiência adquirida no futebol brasileiro e em competições de alto nível pelo Botafogo pesa na avaliação.
A comissão técnica não precisa necessariamente transformar Danilo em um volante exclusivamente defensivo.
Pode utilizá-lo como uma peça de equilíbrio.
E essa característica combina com a ideia de Ancelotti de alternar entre sistemas.
Breno Bidon mostra como a disputa está aberta
A situação de Breno Bidon ajuda a dimensionar o momento.
O meia do Corinthians foi convocado como uma das apostas para a renovação, mas terminou a Data Fifa com apenas 26 minutos, a menor minutagem entre os jogadores utilizados.
Isso não significa que o treinador tenha desistido do jogador.
Ancelotti afirmou após a goleada sobre a Índia que pretende observar outros jovens nas próximas convocações e que agora tem uma ideia mais clara para a próxima lista.
Portanto, o processo continua aberto.
Mas Danilo conseguiu uma vantagem que os concorrentes ainda terão de buscar: três jogos como titular e mais de 220 minutos em campo.
Danilo pode virar uma referência no novo ciclo?
Essa talvez seja a pergunta mais importante.
O Brasil acabou de iniciar um ciclo que terá como objetivo a Copa do Mundo de 2030.
Ancelotti precisa encontrar uma nova espinha dorsal para a equipe.
E Danilo pode estar entrando justamente nesse grupo.
Ele não precisa necessariamente ser o jogador que substitui Casemiro na mesma função.
Pode ser algo mais interessante: uma nova referência para um meio-campo que pretende ser mais versátil.
O treinador já demonstrou que gosta de alternar entre formações e que considera importante ter jogadores capazes de se adaptar.
Danilo mostrou que consegue fazer isso.
Danilo terminou a primeira Data Fifa pós-Copa como o jogador que mais atuou pela Seleção Brasileira, com 222 minutos em três partidas.
Mais importante do que a estatística, porém, foi a confiança demonstrada por Carlo Ancelotti.
O volante foi titular nos três jogos, atuou em diferentes estruturas e teve uma atuação especialmente forte na vitória por 4 a 2 sobre a Austrália, quando participou da construção de três gols.
A comparação com Casemiro é inevitável, mas Danilo não precisa reproduzir exatamente o estilo do antigo titular.
Ancelotti pode estar encontrando no jogador do Botafogo uma peça diferente para ocupar um espaço igualmente importante no novo meio-campo do Brasil.
E, depois de três jogos, uma coisa já parece clara: na corrida pela confiança do treinador, Danilo largou na frente.
