Três anos depois da Máfia das Apostas, só um jogador continua banido do futebol

 

Máfia das Apostas: só um dos cinco banidos continua afastado

Três anos depois de a Operação Penalidade Máxima revelar um dos maiores esquemas de manipulação de partidas do futebol brasileiro, o destino dos jogadores punidos mudou completamente.

Dos cinco atletas que receberam banimento definitivo do futebol profissional, apenas um continua efetivamente afastado dos gramados: o ex-goleiro Matheus Gomes.

Os outros quatro — Diego Porfírio, Gabriel Tota, Romário e Ygor Catatau — conseguiram reverter as punições e voltaram ao futebol profissional após passagens por competições amadoras. O levantamento atualizado pelo UOL mostra como cada um deles seguiu a vida depois do escândalo.

O que foi a Operação Penalidade Máxima?

Deflagrada em 2023, a Operação Penalidade Máxima investigou uma rede formada por apostadores e jogadores que buscava manipular acontecimentos específicos das partidas para obter lucro em casas de apostas.

Entre as ações investigadas estavam cartões amarelos, pênaltis e outros eventos determinados antes dos jogos.

No âmbito esportivo, 22 jogadores foram punidos pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), com penas que variaram de multas a suspensões de centenas de dias e banimentos definitivos.

Cinco receberam inicialmente a punição máxima.

Mas essa lista mudou ao longo dos anos.

Matheus Gomes é o único que continua banido

Entre os cinco jogadores originalmente eliminados do futebol, Matheus Gomes é atualmente o único que continua afastado profissionalmente.

O ex-goleiro, que defendia o Sergipe quando o caso veio à tona, foi apontado como responsável por intermediar contatos entre jogadores e apostadores.

Depois do banimento, precisou buscar outra atividade profissional e passou a trabalhar como motorista de aplicativo.

Mais recentemente, também começou a atuar como palestrante sobre compliance esportivo, abordando justamente os riscos relacionados às apostas e à manipulação de resultados.

O caso de Matheus é diferente dos demais porque sua punição definitiva ainda não foi revertida.

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Diego Porfírio conseguiu voltar ao futebol

A mudança mais recente entre os cinco aconteceu justamente com Diego Porfírio.

O ex-lateral-esquerdo do Ypiranga havia sido banido em 2023 após confessar ter aceitado R$ 50 mil para receber um cartão amarelo em uma partida entre Coritiba e América-MG pelo Brasileirão de 2022.

Depois de mais de dois anos afastado, Porfírio conseguiu a reabilitação no STJD em janeiro de 2026.

O pedido foi aprovado por unanimidade, permitindo que o jogador voltasse a atuar profissionalmente.

Segundo a defesa, o atleta já tinha uma proposta para defender o Pouso Alegre, de Minas Gerais, dependendo apenas da autorização para retornar aos gramados.

Assim, Porfírio deixou de fazer parte da lista de jogadores banidos.

Gabriel Tota encontrou outro caminho no futebol

Gabriel Tota também recebeu banimento definitivo após ser envolvido no esquema.

Antes da reversão da punição, o ex-meia passou a disputar campeonatos amadores enquanto aguardava uma possibilidade de retorno.

O jogador havia sido acusado de receber dinheiro para influenciar o desempenho de Paulo Miranda, em um caso relacionado a cartões amarelos.

Com a reabilitação, Tota voltou a ter a possibilidade de atuar profissionalmente.

Romário foi apontado como um dos pivôs do esquema

O caso de Romário, ex-Vila Nova, ganhou destaque durante as investigações.

Segundo o levantamento do ge, ele aceitou uma oferta de R$ 150 mil para cometer um pênalti em uma partida contra o Sport pela Série B.

O ex-volante chegou a admitir posteriormente que errou ao aceitar o dinheiro oferecido pelos apostadores.

Romário também recebeu banimento definitivo, mas posteriormente conseguiu reverter a punição.

A trajetória dele ajuda a explicar como o cenário dos cinco banidos mudou ao longo dos anos: uma decisão inicialmente definitiva não necessariamente encerrou a carreira esportiva para sempre.

Ygor Catatau também conseguiu reverter a punição

Ygor Catatau, ex-atacante do Sampaio Corrêa, foi apontado como intermediário em um esquema envolvendo jogadores.

Ele recebeu inicialmente banimento do futebol e uma multa de R$ 70 mil.

Durante o período afastado, passou a se dedicar ao futevôlei e a competições esportivas alternativas.

Posteriormente, também conseguiu reverter a punição e retornar ao futebol profissional.

Cinco banidos, quatro reabilitados e uma carreira interrompida

O cenário atual pode ser resumido assim:

JogadorPunição inicialSituação atual
Matheus GomesBanimento definitivoContinua afastado
Diego PorfírioBanimento definitivoReabilitado
Gabriel TotaBanimento definitivoReabilitado
RomárioBanimento definitivoReabilitado
Ygor CatatauBanimento definitivoReabilitado

A informação mais recente é que Matheus Gomes é o único dos cinco que ainda não conseguiu reverter o banimento.

E os outros jogadores envolvidos?

O caso não terminou nos cinco banidos.

Outros atletas receberam suspensões de 360 a 720 dias, e a maioria dessas punições já foi cumprida.

Jogadores como Eduardo Bauermann, Alef Manga, Nino Paraíba, Kevin Lomónaco e Igor Cariús, entre outros, conseguiram retomar suas carreiras depois do cumprimento das respectivas penas.

Também houve o caso de Thonny Anderson, que recebeu multa de R$ 40 mil, mas não foi suspenso e pôde continuar atuando.

Isso mostra que o impacto esportivo da operação foi bastante diferente de jogador para jogador.

Por que os banimentos puderam ser revertidos?

A possibilidade de reabilitação está prevista no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).

No caso de atletas eliminados, o pedido pode ser apresentado depois de determinado período e precisa ser acompanhado de documentação relacionada à conduta e à vida profissional do interessado.

Foi justamente esse mecanismo que permitiu a reversão das punições de jogadores como Diego Porfírio.

Portanto, o termo “banido definitivamente” precisa ser entendido dentro do contexto das regras esportivas: a decisão inicial elimina o atleta do futebol profissional, mas o sistema prevê mecanismos específicos para uma eventual reabilitação.

O que aconteceu três anos depois?

A Operação Penalidade Máxima mudou o debate sobre manipulação de resultados no futebol brasileiro e colocou os jogadores no centro de uma discussão que envolve integridade esportiva, apostas e fiscalização.

Três anos depois, entretanto, o retrato dos envolvidos é muito diferente daquele de 2023.

Dos cinco que receberam a punição máxima, quatro conseguiram voltar ao futebol profissional.

Apenas Matheus Gomes continua afastado.

O ex-goleiro, que hoje trabalha como motorista de aplicativo e palestrante sobre compliance, acabou tendo um destino completamente diferente dos outros envolvidos.

E o caso mostra uma consequência pouco conhecida da operação: o banimento que parecia ser o ponto final de cinco carreiras acabou sendo revertido para quatro dos jogadores ao longo dos anos.

Bruno Santana

Formado em Análise e Desenvolvimento de sistemas , mas apaixonado por futebol e escritos nas horas vagas

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