Ancelotti aponta carência no futebol brasileiro e revela problema que tenta resolver na Seleção

 

Ancelotti aponta carência no futebol brasileiro e revela problema na Seleção

A vitória do Brasil por 4 a 2 sobre a Austrália, nesta terça-feira (29), trouxe três pontos importantes para o início do novo ciclo, mas Carlo Ancelotti deixou uma declaração que pode ser ainda mais relevante pensando no futuro da Seleção.

Depois da partida, o treinador italiano revelou um problema que considera evidente no futebol brasileiro: a dificuldade para produzir novos meio-campistas.

“A verdade é que agora, neste momento, não temos muita produção de jovens meio-campistas”, afirmou Ancelotti.

A declaração explica parte das escolhas feitas pelo técnico desde a primeira convocação depois da Copa do Mundo de 2026. Breno Bidon, do Corinthians, e Gabriel Bontempo, do Santos, foram chamados justamente dentro dessa tentativa de encontrar novas soluções para o setor.

E o problema não é apenas encontrar nomes para completar uma convocação. Ancelotti está tentando descobrir qual será a melhor maneira de fazer o Brasil jogar sem depender exclusivamente dos pontas e atacantes que marcaram a identidade recente da equipe.

Por que Ancelotti está procurando novos meias?

O meio-campo brasileiro passou por uma mudança importante depois da Copa.

Casemiro, que foi uma das principais referências da Seleção durante anos, não faz parte dos planos deste novo ciclo. Na primeira convocação pós-Mundial, Ancelotti chamou Bruno Guimarães, Douglas Luiz, Andrey Santos, Breno Bidon e Gabriel Bontempo para o setor.

A ideia não é simplesmente substituir Casemiro por outro jogador com características semelhantes.

O desafio é encontrar diferentes perfis capazes de construir, controlar e acelerar o jogo pelo centro do campo.

É justamente por isso que Bidon e Bontempo ganharam espaço.

Ancelotti quer observar se os jovens conseguem transformar potencial em alternativas reais para a Seleção nos próximos anos.

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Breno Bidon representa uma aposta diferente

Breno Bidon chegou à Seleção principal como uma das novidades mais interessantes da convocação.

O meio-campista do Corinthians já vinha sendo observado por Ancelotti e apareceu entre os jogadores chamados para iniciar a reformulação do setor.

Sua utilização também mostra o tipo de jogador que o treinador procura.

Bidon pode atuar em uma faixa mais avançada, participar da construção e oferecer movimentação entre as linhas. Não é simplesmente um volante de contenção.

Isso permite que Ancelotti tenha mais alternativas para montar um meio-campo capaz de jogar com posse e aproximação.

Bontempo aproveitou a oportunidade contra a Austrália

Gabriel Bontempo foi ainda mais direto para dentro do projeto.

O meia do Santos fez sua estreia pela Seleção principal justamente na vitória por 4 a 2 sobre a Austrália e teve participação importante no primeiro gol brasileiro, em uma atuação que chamou atenção durante o jogo.

A escolha não aconteceu por acaso.

Antes mesmo dos amistosos, Ancelotti já havia explicado que existe uma carência de meio-campistas e que a comissão técnica precisava observar jogadores jovens capazes de preencher esse espaço.

Agora, Bontempo passa a fazer parte dessa disputa.

E o próprio treinador fez questão de deixar claro que não encara esses jogadores simplesmente como “testes”.

Segundo Ancelotti, os jovens convocados já são considerados jogadores de qualidade e precisam aproveitar a oportunidade, enquanto outros nomes poderão aparecer nas próximas convocações.

O Brasil está usando quatro atacantes por falta de meias?

Essa é uma das partes mais interessantes da declaração de Ancelotti.

No primeiro amistoso contra a Austrália, terminado em 1 a 1, o técnico utilizou uma formação com quatro jogadores de características ofensivas.

Na revanche, optou pelo 4-3-3, com três meio-campistas.

A mudança não significa que Ancelotti tenha abandonado a primeira ideia.

Pelo contrário: ele afirmou que pretende continuar trabalhando com as duas possibilidades e decidir de acordo com as características dos jogadores disponíveis.

Na prática, isso significa que o treinador está tentando resolver uma equação complicada.

Se o Brasil possui uma geração extremamente forte de atacantes e pontas, mas ainda procura novos meias, uma solução é colocar mais jogadores ofensivos em campo e tentar criar superioridade através da movimentação.

O problema aparece quando a equipe precisa controlar o jogo.

A vitória mostrou por que o meio-campo é tão importante

Contra a Austrália, o Brasil teve momentos de dificuldade mesmo terminando com quatro gols.

A Seleção abriu o placar rapidamente, sofreu a virada ainda no primeiro tempo e precisou reagir depois do intervalo. A equipe melhorou com as mudanças e conseguiu construir a vitória por 4 a 2.

O segundo tempo mostrou justamente o potencial que Ancelotti tenta explorar.

A entrada de novos jogadores aumentou a movimentação ofensiva, enquanto Bruno Guimarães apareceu mais à frente e participou diretamente da construção do terceiro gol. Endrick também entrou e deu assistência para o gol do volante.

Isso ajuda a explicar por que o treinador não está procurando apenas um “novo camisa 10”.

Ele precisa de um conjunto de meio-campistas capaz de oferecer diferentes soluções durante os 90 minutos.

O Brasil precisa voltar a produzir jogadores pelo meio

A declaração de Ancelotti coloca uma discussão importante para o futebol brasileiro.

Durante décadas, o país revelou grandes jogadores de meio-campo: meias criativos, volantes técnicos e jogadores capazes de controlar o ritmo das partidas.

Nos últimos anos, porém, a Seleção passou a depender cada vez mais de jogadores de lado de campo e atacantes capazes de decidir individualmente.

A própria convocação atual mostra essa preocupação.

Ancelotti não levou apenas nomes consolidados. Ele abriu espaço para jovens e pretende continuar acompanhando outros jogadores ao longo do ciclo.

Isso transforma as próximas convocações em uma espécie de laboratório permanente.

E o 4-3-3 pode ser o caminho?

A vitória sobre a Austrália também fortaleceu a possibilidade de Ancelotti trabalhar mais frequentemente com três meio-campistas.

O desenho permite que o Brasil tenha um jogador a mais no setor central e diminua a dependência de ataques construídos exclusivamente pelos lados.

Por outro lado, existe um custo.

Com três meias, alguns atacantes precisam mudar de posição ou começar no banco. Raphinha, por exemplo, pode atuar mais centralizado, enquanto jogadores como Endrick e outros jovens ofensivos disputam espaço.

É exatamente esse equilíbrio que Ancelotti terá de encontrar.

Próximo passo será contra a Índia

A experiência continuará no próximo compromisso.

O Brasil enfrenta a Índia no sábado (3 de outubro), em Calcutá, no terceiro amistoso da sequência. Ancelotti já confirmou que Pedro Morisco será titular no gol e indicou que continuará promovendo mudanças.

O treinador, portanto, não pretende fechar rapidamente uma equipe titular.

A prioridade neste momento é ampliar o número de opções.

E a carência revelada pelo próprio Ancelotti deixa claro onde está uma das maiores missões do novo ciclo: encontrar uma nova geração de meio-campistas antes que a Seleção precise deles em jogos realmente decisivos.

A vitória por 4 a 2 resolveu o resultado da noite. Mas a declaração do treinador revelou um problema muito maior: o Brasil tem atacantes para construir um time competitivo, mas ainda precisa descobrir quem será capaz de comandar o jogo pelo meio nos próximos anos.

Bruno Santana

Formado em Análise e Desenvolvimento de sistemas , mas apaixonado por futebol e escritos nas horas vagas

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