A crise ainda não acabou, mas Fernando Diniz ganhou um período que pode ser decisivo para tentar mudar o rumo do Corinthians.
Depois de seis derrotas consecutivas no Brasileirão e apenas três pontos de vantagem para a zona de rebaixamento, o treinador foi mantido no cargo. Agora, a comissão técnica aproveita a Data Fifa para testar uma mudança importante no funcionamento do ataque e do meio-campo.
O plano estudado envolve diretamente Rodrigo Garro e Memphis Depay.
A ideia é colocar Garro em uma posição mais recuada, exercendo a função de camisa 8, enquanto Memphis atuaria mais próximo do centroavante. A volta de Yuri Alberto também faz parte do planejamento.
A mudança nasceu no segundo tempo contra o Fluminense
Apesar da derrota por 3 a 1 para o Fluminense, o Corinthians encontrou no segundo tempo uma formação que chamou a atenção da comissão técnica.
A entrada de Gui Negão fez Memphis se aproximar do ataque, enquanto Garro passou a ocupar uma região mais recuada do campo.
Foi justamente esse desenho que passou a ser analisado internamente como uma possibilidade para a sequência da temporada.
A ideia, portanto, não surgiu apenas de um teste feito durante os treinamentos.
Ela nasceu de uma situação de jogo que mostrou à comissão técnica uma alternativa para tentar aumentar a participação dos dois principais nomes técnicos do elenco.
Garro pode deixar de ser o meia mais adiantado
A mudança mais significativa envolve Rodrigo Garro.
O argentino vinha atuando em uma posição mais próxima do ataque, mas a nova ideia é utilizá-lo como um camisa 8, participando mais da construção desde trás.
Na prática, Garro teria mais espaço para receber a bola de frente, organizar a saída e chegar ao ataque de maneira diferente.
O movimento também pode ajudar a diminuir a dependência do argentino para criar todas as jogadas no último terço do campo.
Isso é importante porque Garro viveu uma queda de produção justamente durante o período de maior crise do Corinthians.
O meia chegou a maio com dez assistências em 27 partidas, sendo sete delas depois da chegada de Diniz. Nos 15 jogos seguintes, porém, deu apenas mais uma assistência.
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Memphis pode ficar mais perto de Yuri Alberto
Do outro lado, a mudança pretende aproximar Memphis do gol.
O holandês deixaria de ser responsável por participar tanto da construção longe da área e passaria a atuar mais próximo do centroavante.
A comissão técnica viu sinais positivos dessa possibilidade quando Gui Negão entrou contra o Fluminense e Memphis passou a jogar como segundo atacante.
O retorno de Yuri Alberto, previsto para o confronto com o Internacional em 7 de outubro, aumenta ainda mais a importância dessa ideia.
Segundo a avaliação da comissão técnica, os movimentos diagonais de Yuri podem abrir espaços para Memphis atacar regiões mais próximas da área.
É uma tentativa de resolver dois problemas ao mesmo tempo: recuperar Garro e colocar Memphis em uma zona na qual sua capacidade individual possa ser mais decisiva.
O retorno de Yuri muda o quebra-cabeça
A ausência de Yuri Alberto foi um dos fatores que mais afetaram o Corinthians durante a sequência negativa.
O centroavante está fora desde julho por causa de uma lesão grau 2 no músculo posterior da coxa esquerda e deve voltar justamente depois da Data Fifa.
Sem Yuri, Diniz precisou encontrar alternativas para o ataque.
Com o retorno do camisa 9, o treinador ganha novamente uma referência para movimentar a defesa adversária e, principalmente, criar espaços para quem estiver atrás dele.
Isso pode ser especialmente importante para Memphis.
O holandês voltou recentemente ao Corinthians após o período de negociações pela renovação de contrato e ainda trabalha para recuperar o ritmo ideal. Desde o retorno, acumulou 250 minutos em quatro partidas, média de 62,5 minutos por jogo.
A nova função pode ser uma maneira de aproveitar melhor o atacante enquanto ele recupera sua condição física.
Diniz ganhou tempo — mas não ganhou tranquilidade
A mudança tática só está sendo estudada porque Diniz continua no comando.
A permanência foi reforçada pelos próprios líderes do elenco.
Após a derrota para o Fluminense, Gustavo Henrique, Rodrigo Garro e Memphis Depay se reuniram com Marcelo Paz para pedir a permanência do treinador. Os jogadores entendem que o trabalho pode evoluir com mais tempo de treinamento e com o retorno de Yuri Alberto.
O treinador, portanto, ganhou exatamente o que precisava: tempo para trabalhar.
Mas o período também aumenta a responsabilidade.
O Corinthians não tem mais partidas de Copa do Brasil ou Libertadores e terá a Data Fifa inteira para preparar a equipe para a reta final do Brasileirão.
O primeiro teste será contra o Internacional
A nova formação pode aparecer já no retorno do Campeonato Brasileiro.
O Corinthians enfrenta o Internacional em 7 de outubro, no Beira-Rio, pela 29ª rodada.
E o jogo terá um peso especial porque será um confronto direto na luta contra o rebaixamento.
O cenário torna a experiência ainda mais importante.
Diniz terá que decidir se mantém o modelo observado contra o Fluminense ou se volta ao desenho anterior.
Garro mais recuado, Memphis próximo de Yuri e a possibilidade de explorar melhor os movimentos do centroavante podem representar uma tentativa de dar ao Corinthians um ataque mais funcional.
A possível escalação mostra como Diniz pensa a mudança
Se os testes realizados durante a Data Fifa confirmarem a ideia, o Corinthians pode ganhar um meio-campo diferente.
A formação estudada pelo clube tem Raniele, André e Garro no setor central, com Breno Bidon e Memphis dando apoio a Yuri Alberto no ataque.
O desenho poderia ficar próximo de:
Matheuzinho — Gabriel Paulista — Gustavo Henrique — Matheus Bidu
Raniele — André — Garro
Breno Bidon — Memphis
Yuri Alberto
Não significa que essa será necessariamente a escalação contra o Internacional. Trata-se do modelo que a comissão técnica avalia durante os treinamentos.
Mas ele deixa clara a intenção de Diniz: reorganizar as funções em vez de simplesmente trocar jogadores.
A Data Fifa virou a última grande oportunidade de Diniz
O Corinthians chega ao período de paralisação com 32 pontos e apenas três de vantagem para o Z4, depois de seis derrotas consecutivas no Brasileirão.
Ao mesmo tempo, o treinador recebeu respaldo dos jogadores e terá novamente Yuri Alberto à disposição.
É nesse contexto que a mudança de funções ganha importância.
Diniz não precisa apenas fazer o Corinthians jogar melhor.
Precisa encontrar uma maneira de fazer Garro voltar a produzir, Memphis jogar mais perto do gol e Yuri Alberto recuperar seu papel no ataque.
Se o novo desenho funcionar, o treinador terá encontrado uma resposta justamente dentro do próprio elenco.
Se não funcionar, a pressão voltará imediatamente quando o campeonato for retomado.
A Data Fifa, portanto, não representa apenas uma pausa para o Corinthians.
É o período em que Diniz tenta transformar uma crise em um novo modelo de jogo.
E a primeira grande mudança passa por dois dos jogadores mais importantes — e mais cobrados — do elenco: Garro e Memphis.
