Do campo para a política: quando os craques trocaram a bola pelas urnas
Aposentar as chuteiras não significou abandonar a vida pública para alguns dos grandes nomes do futebol brasileiro.
Ao longo das últimas décadas, diversos jogadores que fizeram história nos clubes e na Seleção Brasileira decidiram seguir um caminho diferente depois de deixar os gramados: entraram para a política.
Alguns conquistaram mandatos importantes. Outros ocuparam cargos no Executivo. Há também quem tenha tentado a carreira política e não conseguido transformar a popularidade do futebol em votos.
Entre os casos mais conhecidos estão Romário, Bebeto e Danrlei, além de nomes históricos como Zico, Pelé, Roberto Dinamite e Ademir da Guia.
E a história continua sendo escrita.
Romário: do tetracampeonato ao Senado
Poucos jogadores conseguiram levar para a política a mesma força que tinham dentro de campo como Romário.
Herói do tetracampeonato mundial de 1994, o ex-atacante entrou oficialmente na política em 2010, quando foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro.
Depois, mudou de cargo e chegou ao Senado.
Romário foi eleito senador em 2014 e novamente em 2022. Seu atual mandato vai até 2031.
Em 2026, o ex-jogador voltou a protagonizar uma movimentação importante no cenário político.
Em agosto, deixou o PL, partido ao qual estava filiado havia cinco anos, e declarou apoio à candidatura de Eduardo Paes ao governo do Rio de Janeiro.
Romário afirmou que permaneceria sem partido naquele momento.
A trajetória mostra como o ex-jogador deixou de ser apenas uma figura conhecida do futebol para se tornar um nome consolidado na política nacional.
Bebeto: parceiro de Romário também entrou na política
A dupla que marcou a Copa de 1994 também acabou encontrando outro ponto em comum depois dos gramados.
Bebeto entrou na política e construiu uma trajetória principalmente no Rio de Janeiro.
O ex-atacante foi eleito vereador em São João de Meriti em diferentes oportunidades e posteriormente chegou à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Em 2026, Bebeto exerce mandato de deputado federal pelo Rio de Janeiro.
Sua trajetória é um exemplo de como a identificação com uma cidade ou região pode ser determinante para transformar a fama esportiva em capital político.
Danrlei: do gol do Grêmio para Brasília
Outro nome que conseguiu construir uma carreira política é Danrlei.
Ídolo do Grêmio e ex-goleiro da Seleção Brasileira, ele entrou para a política e chegou à Câmara dos Deputados.
Em 2026, Danrlei está em seu quarto mandato como deputado federal pelo Rio Grande do Sul.
Antes disso, também ocupou o cargo de secretário estadual de Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul.
É um dos exemplos mais claros de uma carreira que conseguiu se prolongar por diferentes mandatos depois do futebol.
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Pelé também entrou para a política
Quando se fala em futebol brasileiro, é impossível deixar Pelé fora dessa história.
O Rei não disputou eleições, mas ocupou um dos cargos públicos mais importantes já exercidos por um ex-jogador.
Entre 1995 e 1998, Pelé foi ministro dos Esportes durante o governo Fernando Henrique Cardoso.
Sua passagem pelo governo ficou marcada principalmente pela chamada Lei Pelé, legislação que provocou mudanças importantes na relação entre clubes e jogadores no futebol brasileiro.
Foi uma das maiores demonstrações de como a influência de um atleta poderia ultrapassar os limites do esporte.
Zico também teve experiência no governo
Outro gigante do futebol brasileiro que entrou na vida pública foi Zico.
Ídolo do Flamengo e um dos maiores jogadores da história da Seleção, o ex-meia assumiu a Secretaria Nacional de Esportes durante o governo Fernando Collor, em 1990.
Zico permaneceu no cargo até 1991.
Diferentemente de Romário e Bebeto, sua trajetória política não foi construída principalmente através de eleições.
Foi uma experiência dentro do Executivo.
Roberto Dinamite também virou político
Um dos maiores ídolos da história do Vasco, Roberto Dinamite também entrou para a política.
O ex-atacante foi eleito vereador do Rio de Janeiro em 1992.
Depois, chegou à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde permaneceu por vários mandatos.
Sua carreira política acompanhou parte importante de sua popularidade como jogador.
Ademir da Guia levou o Palmeiras para a política
O futebol paulista também possui seus representantes.
Ademir da Guia, considerado o maior ídolo da história do Palmeiras, entrou para a política e foi eleito vereador da cidade de São Paulo em 2004.
O caso mostra que a relação entre futebol e política não está concentrada apenas em jogadores que defenderam a Seleção.
Ídolos de clubes também conseguiram transformar sua popularidade em votos.
Reinaldo: outro ídolo do Atlético-MG na política
O Atlético-MG também teve um de seus maiores ídolos na política.
Reinaldo, atacante da Seleção Brasileira na Copa de 1978, foi eleito deputado estadual em Minas Gerais e também exerceu mandato como vereador de Belo Horizonte.
Mais uma vez, a carreira esportiva serviu como ponto de partida para uma trajetória completamente diferente.
Jardel também trocou os gramados pelas urnas
Conhecido principalmente por sua passagem pelo futebol europeu e pelo Porto, Jardel também entrou na política.
O ex-atacante, que chegou a defender a Seleção Brasileira, foi eleito deputado estadual no Rio Grande do Sul em 2014.
Sua carreira política, entretanto, não alcançou a mesma longevidade de nomes como Romário e Danrlei.
Túlio Maravilha tentou repetir o sucesso do futebol
Túlio Maravilha também decidiu entrar na política.
O atacante, eternizado principalmente pela passagem pelo Botafogo, foi eleito vereador em Goiânia em 2008.
Depois, tentou uma vaga como deputado estadual, mas não conseguiu se eleger.
Seu caso mostra que a fama esportiva pode ajudar, mas não garante automaticamente uma carreira política.
Marcelinho Carioca: popularidade nem sempre vira mandato
Outro exemplo é Marcelinho Carioca.
Ídolo do Corinthians, o ex-meia tentou construir uma carreira política em São Paulo.
Em 2015, chegou a assumir temporariamente uma vaga na Câmara dos Deputados como suplente.
Nas eleições seguintes, porém, não conseguiu se eleger.
O caso reforça uma diferença importante:
ser conhecido não significa necessariamente conseguir votos suficientes para conquistar um mandato.
O que esses jogadores têm em comum?
Apesar das trajetórias diferentes, existe um elemento que aproxima quase todos esses casos:
a popularidade construída no futebol.
Um jogador que passou anos diante de milhões de torcedores já entra na política com algo que muitos candidatos precisam construir do zero: reconhecimento público.
Romário, Bebeto, Danrlei, Roberto Dinamite e Ademir da Guia, por exemplo, construíram suas carreiras políticas depois de décadas de exposição nos gramados.
Mas a fama não é suficiente.
A experiência de Túlio Maravilha e Marcelinho Carioca mostra que a transferência de popularidade esportiva para a política não acontece automaticamente.
Por que tantos ex-jogadores entram na política?
Existem vários fatores.
Popularidade
Os grandes jogadores possuem reconhecimento nacional ou regional.
Base de torcedores
Ídolos de clubes já possuem uma comunidade enorme acompanhando suas trajetórias.
Identificação
O torcedor pode enxergar o ex-jogador como alguém que representa sua cidade, estado ou clube.
Conhecimento do esporte
Depois da carreira, muitos atletas também procuram atuar em áreas relacionadas ao esporte.
Visibilidade
A televisão e as redes sociais mantêm esses personagens em contato permanente com o público.
Do vestiário para o plenário
A passagem do futebol para a política é uma das transformações mais curiosas da carreira de um atleta.
No campo, o jogador precisa conquistar resultados em 90 minutos.
Na política, o desafio é completamente diferente: construir alianças, apresentar propostas, disputar eleições e conquistar confiança do eleitor.
Alguns conseguiram.
Outros ficaram pelo caminho.
E há ainda aqueles que ocuparam cargos importantes sem necessariamente disputar eleições.
Ranking: alguns dos principais ex-jogadores que entraram na política
| Ex-jogador | Principal experiência política |
|---|---|
| Romário | Senador |
| Bebeto | Deputado federal |
| Danrlei | Deputado federal |
| Roberto Dinamite | Vereador e deputado estadual |
| Pelé | Ministro dos Esportes |
| Zico | Secretário Nacional de Esportes |
| Ademir da Guia | Vereador |
| Reinaldo | Deputado estadual e vereador |
| Jardel | Deputado estadual |
| Túlio Maravilha | Vereador |
| Marcelinho Carioca | Ex-deputado federal suplente |
O futebol continua abrindo portas
A história mostra que a relação entre futebol e política está longe de ser uma novidade no Brasil.
Desde Pelé e Zico até Romário, Bebeto e Danrlei, diferentes gerações de jogadores encontraram na vida pública um novo caminho depois da aposentadoria.
E o fenômeno continua.
Em um país onde futebol possui enorme influência cultural, um ídolo dos gramados pode chegar às urnas carregando uma vantagem que poucos candidatos possuem: décadas de reconhecimento popular.
Mas, depois do apito final, começa outro jogo.
Na política, não existe torcida suficiente para garantir vitória.
É preciso conquistar o voto.
E essa é uma partida completamente diferente.
