16 finais e um problema: o que pode impedir o Palmeiras de buscar a tríplice coroa em 2026

 

Palmeiras tem 16 finais, mas um problema pode decidir a temporada

O Palmeiras entrou na reta decisiva de 2026 com uma meta interna que resume o tamanho do desafio: 16 finais. A conta considera as dez rodadas restantes do Brasileirão e os possíveis jogos até as finais da Libertadores e da Copa do Brasil. O clube ainda está vivo nas três principais competições da temporada e não pretende escolher uma delas para priorizar.

Mas existe um problema que pode pesar justamente quando cada detalhe passar a valer uma classificação ou um título: o Palmeiras está criando, mas nem sempre está conseguindo transformar as oportunidades em gols.

O empate sem gols com o Grêmio foi o exemplo mais recente e talvez o mais claro.

16 finais pela frente

A expressão nasceu depois do 0 a 0 contra o Grêmio, quando o auxiliar João Martins afirmou que o Palmeiras havia estabelecido internamente a ideia de tratar os jogos restantes como finais.

São dez partidas pelo Brasileirão, além das semifinais da Libertadores e da Copa do Brasil. Caso avance em ambas, o calendário ainda poderá aumentar com as duas decisões.

O cenário transforma praticamente toda partida em um jogo de alto peso.

No Campeonato Brasileiro, o Palmeiras precisa continuar na disputa pela liderança. Nos torneios eliminatórios, cada confronto passa a ter margem de erro ainda menor.

E é justamente nesse ambiente que a eficiência ofensiva ganha importância.

O Palmeiras cria — mas precisa começar a marcar mais

O empate contra o Grêmio mostrou a contradição atual do time.

O Palmeiras terminou a partida com 29 finalizações, sendo 13 no alvo, mas não conseguiu marcar. Weverton teve atuação decisiva pelo Grêmio e realizou 11 defesas.

Depois do jogo, João Martins não tentou esconder o problema.

O auxiliar reconheceu a atuação do goleiro adversário, mas também assumiu a responsabilidade pela falta de eficácia do Palmeiras.

Isso é importante porque mostra que o problema não está necessariamente na capacidade de produzir chances.

O Palmeiras chega ao ataque. O problema é o que acontece no último movimento.

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O problema ficou mais evidente depois da Copa

A queda de eficiência não surgiu apenas contra o Grêmio.

O Palmeiras já vinha apresentando sinais de inconsistência ofensiva na segunda metade da temporada. A análise do ge apontou desencaixe no ataque, mudanças constantes no setor, lesões e perda de opções como fatores que contribuíram para a queda de rendimento.

O cenário ficou ainda mais delicado porque o time precisa disputar três competições simultaneamente.

Ter volume durante 90 minutos é importante.

Mas em partidas de Libertadores e Copa do Brasil, uma única chance desperdiçada pode mudar completamente o confronto.

Um 0 a 0 fora de casa pode ser considerado administrável em determinadas circunstâncias. Um gol perdido em casa, porém, pode significar uma eliminação.

É aí que a eficácia deixa de ser apenas uma estatística e passa a ser um problema competitivo.

Flaco López e Vitor Roque precisam transformar volume em gols

A responsabilidade naturalmente recai sobre os jogadores de ataque.

Flaco López e Vitor Roque são duas das principais referências ofensivas do Palmeiras, mas o time precisa encontrar novamente a combinação que fez os dois funcionarem em determinados momentos da temporada.

O problema é que o elenco passou por mudanças e perdeu opções durante o ano.

Ramón Sosa ficou fora por lesão, Allan foi negociado com o Manchester City sem reposição direta e Paulinho também enfrentou problemas físicos. O próprio ge apontou a falta de continuidade do setor ofensivo como um dos fatores da queda de rendimento.

Para Abel Ferreira, portanto, não basta ter dois centroavantes capazes de decidir.

É preciso que o sistema consiga colocá-los repetidamente em condições favoráveis.

O Palmeiras não pode depender apenas de uma grande atuação

Existe outro detalhe importante.

Contra o Grêmio, o Palmeiras criou o suficiente para vencer, mas encontrou um goleiro em grande dia. Em outros jogos, porém, não haverá necessariamente um adversário cometendo tantos erros ou um goleiro fazendo uma sequência de defesas decisivas.

Por isso, a questão não pode ser resumida a “o Palmeiras teve azar”.

O time precisa aumentar a margem de segurança.

Se cria 20 ou 30 oportunidades, precisa transformar uma parcela maior delas em gols. Caso contrário, continuará sujeito a perder pontos mesmo quando dominar completamente o adversário.

E esse risco aumenta nos mata-matas.

O calendário pode transformar o problema em algo ainda maior

O Palmeiras terá de administrar outro fator: desgaste.

O próprio João Martins afirmou que o segundo semestre seria mais difícil por causa da quantidade de mata-matas e destacou a necessidade de recuperar física e mentalmente o elenco durante a Data Fifa.

O clube também perderia jogadores para diferentes seleções durante o período de preparação.

Isso significa menos tempo para treinar e corrigir justamente os detalhes que podem decidir os próximos confrontos.

Quando a sequência apertar novamente, Abel terá de equilibrar minutos, recuperação e necessidade de resultado.

Libertadores e Copa do Brasil não perdoam desperdícios

No Brasileirão, um empate ainda permite recuperação nas rodadas seguintes.

Em uma semifinal de Libertadores ou Copa do Brasil, a história é diferente.

Uma equipe pode dominar durante 90 minutos, criar chances e ainda assim sair derrotada por um único gol.

O Palmeiras já sabe disso.

Depois de eliminar a LDU nos pênaltis, o clube avançou à semifinal da Libertadores, onde enfrentará o Fluminense. A ida está marcada para 14 de outubro.

Na Copa do Brasil, o Palmeiras também está entre os quatro semifinalistas.

Ou seja: a equipe terá pela frente justamente os jogos em que eficiência e concentração podem pesar mais do que volume de jogo.

A tríplice coroa passa pelo ataque

O Palmeiras pode chegar ao fim de 2026 disputando três títulos.

Isso já coloca o clube em uma situação histórica, mas também aumenta a exigência.

Não será suficiente dominar adversários ou acumular finalizações.

Será necessário marcar nos momentos certos.

O empate contra o Grêmio não significa que o Palmeiras tenha perdido sua capacidade ofensiva. Pelo contrário: os números daquela partida mostram uma equipe capaz de criar muito. O alerta está na diferença entre produzir oportunidades e convertê-las.

E essa diferença pode ser exatamente o que separa uma grande campanha de uma temporada de títulos.

O que pode decidir a temporada do Palmeiras

O Palmeiras terá 16 jogos tratados internamente como finais. Ainda está vivo no Brasileirão, na Libertadores e na Copa do Brasil e, segundo João Martins, não pretende abrir mão de nenhuma competição.

Mas existe uma pergunta que acompanhará o time até novembro:

quantas chances o Palmeiras precisará criar para fazer um gol?

Se Flaco López, Vitor Roque e os demais jogadores ofensivos conseguirem transformar o volume em eficiência, o time terá uma arma importante para a reta final.

Se continuar criando muito e desperdiçando oportunidades, cada jogo poderá se transformar em uma batalha desnecessariamente apertada.

Nas próximas 16 finais, o Palmeiras não precisa apenas jogar bem. Precisa fazer o que decide partidas: colocar a bola para dentro.

Bruno Santana

Formado em Análise e Desenvolvimento de sistemas , mas apaixonado por futebol e escritos nas horas vagas

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