Crítica: Brasil decepciona, perde para a Noruega e dá adeus à Copa do Mundo 2026

 

O Brasil foi eliminado pela Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Veja uma análise crítica da atuação da Seleção, das escolhas de Carlo Ancelotti e dos erros que custaram a classificação.

O sonho do hexacampeonato terminou de forma amarga. A derrota por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, não representou apenas a eliminação da Seleção Brasileira. Ela expôs problemas que apareceram ao longo do torneio e que, desta vez, não puderam ser mascarados por vitórias apertadas ou pelo talento individual de alguns jogadores.

É preciso reconhecer o mérito da Noruega, que soube sofrer, fez alterações decisivas durante a partida e contou com uma atuação brilhante de Erling Haaland, autor dos dois gols da classificação. Mas também é impossível ignorar os erros cometidos pelo Brasil. A equipe voltou a apresentar pouca criatividade, perdeu intensidade na segunda etapa e viu Carlo Ancelotti demorar para reagir enquanto o jogo mudava de direção.

Um primeiro tempo promissor que não teve continuidade

O Brasil começou melhor.

A equipe controlou a posse de bola, conseguiu criar algumas oportunidades e pressionou a saída de bola da Noruega. Vinícius Júnior foi o jogador mais perigoso do ataque, explorando o lado esquerdo e criando dificuldades para a defesa adversária.

Mesmo assim, faltou eficiência.

As chances criadas não foram transformadas em gols e o Brasil desperdiçou uma oportunidade de ouro quando Bruno Guimarães teve um pênalti defendido pelo goleiro Ørjan Nyland. Em jogos eliminatórios, erros como esse costumam custar caro.

A Noruega mudou o jogo. O Brasil não respondeu.

Se no primeiro tempo a partida parecia controlada, o cenário mudou completamente após o intervalo.

O técnico Ståle Solbakken percebeu que sua equipe precisava de mais velocidade e agressividade no ataque. As substituições surtiram efeito imediato, especialmente com Andreas Schjelderup, que participou diretamente dos dois gols marcados por Haaland.

Do outro lado, Carlo Ancelotti demorou para reagir.

Mesmo com o crescimento evidente da Noruega, o treinador brasileiro manteve praticamente a mesma estrutura tática por boa parte da etapa final.

Enquanto a Noruega encontrava espaços, o Brasil parecia assistir ao jogo mudar sem conseguir alterar seu comportamento.

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Haaland decidiu quando teve oportunidade

Grandes atacantes precisam de poucas chances.

Haaland teve duas oportunidades claras.

Marcou duas vezes.

No primeiro gol, aproveitou um cruzamento preciso e venceu a defesa brasileira pelo alto.

No segundo, mostrou mais uma vez sua capacidade de finalização dentro da área, decretando a classificação histórica da Noruega.

É impossível colocar toda a responsabilidade sobre os zagueiros.

O problema começou antes.

O meio-campo deixou de pressionar.

Os laterais passaram a oferecer espaços.

As linhas ficaram distantes.

Haaland apenas aproveitou um cenário que favoreceu seu jogo.

O meio-campo perdeu intensidade

Casemiro e Bruno Guimarães fizeram um bom início de partida.

Mas, com o passar do tempo, a intensidade caiu.

Martin Ødegaard encontrou mais liberdade para organizar as jogadas.

Quando isso acontece, a Noruega cresce.

O Brasil deixou de controlar a faixa central e passou a correr atrás da bola.

Foi justamente nesse momento que a partida começou a escapar.

As mudanças demoraram

Um dos principais pontos de crítica está na condução do banco de reservas.

Enquanto Solbakken modificou a dinâmica do jogo com substituições que deram velocidade e profundidade à Noruega, Ancelotti demorou para alterar o desenho da equipe.

Quando as trocas aconteceram, o Brasil já demonstrava dificuldades para recuperar o controle da partida.

Em um confronto eliminatório, a leitura rápida do treinador costuma fazer diferença.

Neste jogo, ela favoreceu apenas o lado norueguês.

O ataque desapareceu no segundo tempo

Outro aspecto preocupante foi a queda de produção ofensiva.

Depois de um primeiro tempo razoável, o Brasil praticamente deixou de finalizar com perigo.

A circulação da bola ficou lenta.

Os atacantes passaram a receber a bola longe da área.

As jogadas individuais não encontraram continuidade.

A Noruega conseguiu defender com tranquilidade durante boa parte da etapa final.

Neymar entrou, mas não mudou o cenário

Neymar marcou de pênalti já nos acréscimos, diminuindo o placar para 2 a 1.

O gol, porém, serviu apenas para reduzir a diferença.

O Brasil não conseguiu criar pressão suficiente nos minutos finais para buscar o empate. 

Um problema que apareceu durante a Copa

A eliminação não aconteceu apenas por causa deste jogo.

Em vários momentos do torneio, o Brasil apresentou dificuldades para transformar posse de bola em chances claras.

Contra o Japão, precisou buscar uma virada no fim.

Na fase de grupos, também alternou bons e maus momentos.

Desta vez, diante de um adversário mais qualificado, essas oscilações custaram caro.

Ancelotti também precisa ser cobrado

Carlo Ancelotti chegou cercado de expectativas.

Seu currículo é um dos maiores da história do futebol.

Mas nenhum treinador está acima das críticas.

Neste confronto, algumas decisões podem ser questionadas:

  • demora para modificar a equipe;
  • pouca resposta ao crescimento da Noruega;
  • dificuldade para reorganizar o meio-campo;
  • reação tardia após o primeiro gol sofrido.

Isso não significa ignorar o trabalho desenvolvido até aqui.

Significa reconhecer que, em uma partida decisiva, o treinador também influencia diretamente o resultado.

A Noruega mereceu a classificação

Apesar das críticas ao Brasil, é importante destacar os méritos do adversário.

A Noruega foi disciplinada taticamente.

Soube suportar a pressão inicial.

Aproveitou suas oportunidades.

E contou com um Haaland decisivo.

Além disso, o técnico norueguês mostrou coragem ao alterar a equipe no momento certo, algo que acabou mudando completamente a história da partida.

O que fica para a Seleção?

A eliminação encerra um ciclo que começou com esperança.

Houve evolução em alguns aspectos durante a competição.

A defesa apresentou momentos consistentes.

Vinícius Júnior assumiu protagonismo.

Mas ainda faltou regularidade contra adversários de alto nível.

O Brasil voltou a cair diante de uma seleção europeia em Copa do Mundo, ampliando uma sequência que evidencia a necessidade de continuar evoluindo para competir com as principais potências do continente.

A derrota para a Noruega não pode ser tratada apenas como um acidente de percurso. Ela foi consequência de uma atuação que perdeu intensidade, de um adversário que cresceu ao longo da partida e de decisões técnicas que não surtiram efeito. A Noruega ajustou sua estratégia no intervalo, explorou melhor seus pontos fortes e encontrou em Haaland o jogador capaz de decidir o confronto. O Brasil, por outro lado, desperdiçou oportunidades importantes, viu Bruno Guimarães perder um pênalti e não conseguiu responder quando o jogo mudou de cenário.

Carlo Ancelotti continuará sendo um dos maiores treinadores da história do futebol, mas isso não impede uma análise crítica deste jogo. Em partidas eliminatórias, a capacidade de adaptação durante os 90 minutos costuma separar os classificados dos eliminados. Contra a Noruega, o treinador brasileiro demorou a encontrar respostas, e a Seleção acabou pagando um preço alto por isso. 

Bruno Santana

Formado em Análise e Desenvolvimento de sistemas , mas apaixonado por futebol e escritos nas horas vagas

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