Quando Carlo Ancelotti assumiu o comando da Seleção Brasileira, uma das principais dúvidas era se um treinador acostumado ao futebol europeu conseguiria recuperar uma equipe que vinha acumulando atuações irregulares desde o fim da Copa do Mundo de 2022.
Poucos meses depois, o cenário mudou. O Brasil voltou a transmitir segurança, recuperou competitividade e chegou ao mata-mata da Copa do Mundo de 2026 com um desempenho superior ao apresentado no início do ciclo. A evolução não aparece apenas na impressão visual das partidas, mas também nos números.
Embora o aproveitamento de pontos não tenha crescido de forma expressiva em relação ao período anterior, diversos indicadores mostram uma equipe mais equilibrada, com melhor organização defensiva, maior produção ofensiva e um ambiente interno mais estável.
Os números de Ancelotti pela Seleção
Até a disputa da Copa do Mundo de 2026, Carlo Ancelotti acumulava:
| Estatística | Números |
|---|---|
| Jogos | 12 |
| Vitórias | 7 |
| Empates | 3 |
| Derrotas | 2 |
| Aproveitamento | 66,7% |
| Gols marcados | 26 |
| Média de gols | 2,17 por jogo |
Os números mostram um treinador que conseguiu aumentar a produtividade ofensiva da equipe mantendo um bom equilíbrio defensivo.
Comparação com Dorival Júnior
Antes da chegada do italiano, Dorival Júnior comandou o Brasil em 16 partidas.
Confira a comparação.
| Estatística | Dorival | Ancelotti |
|---|---|---|
| Jogos | 16 | 12 |
| Vitórias | 7 | 7 |
| Empates | 7 | 3 |
| Derrotas | 2 | 2 |
| Gols marcados | 25 | 26 |
| Média de gols | 1,56 | 2,17 |
O dado mais impressionante está justamente no ataque.
Ancelotti precisou de menos partidas para superar o número de gols marcados durante praticamente todo o ciclo anterior.
A defesa também melhorou
O crescimento ofensivo não foi a única mudança.
Sob comando de Ancelotti, a Seleção passou a sofrer menos gols por partida.
O posicionamento defensivo ficou mais compacto.
Os laterais passaram a subir com maior controle.
Os volantes protegeram melhor a defesa.
Segundo análises do ciclo da equipe, a Seleção reduziu a média de gols sofridos ao mesmo tempo em que aumentou sua produção ofensiva, um dos principais indicadores da evolução coletiva.
Um Brasil mais organizado
Muito da evolução acontece sem a bola.
A Seleção voltou a apresentar características que haviam desaparecido nos últimos anos.
Entre elas:
- pressão organizada;
- recomposição rápida;
- linhas compactas;
- melhor ocupação dos espaços;
- menor distância entre defesa e ataque.
Esses detalhes diminuem significativamente o número de oportunidades concedidas aos adversários.
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O ataque voltou a funcionar
Outra mudança evidente está na criação de jogadas.
Com Dorival, muitas partidas dependiam exclusivamente de ações individuais.
Sob Ancelotti, a equipe passou a criar oportunidades através do coletivo.
A movimentação dos atacantes aumentou.
Os laterais participam mais.
Os meio-campistas chegam com frequência à área.
O resultado aparece nos gols.
Com média superior a dois gols por jogo, o Brasil voltou a apresentar números compatíveis com seleções candidatas ao título.
Vinícius Júnior cresceu
Talvez nenhum jogador represente melhor essa evolução do que Vinícius Júnior.
No Real Madrid, Ancelotti já havia conseguido extrair o melhor do atacante.
Na Seleção aconteceu algo parecido.
Vinícius passou a receber a bola em melhores condições.
Também ganhou maior liberdade para atacar.
Isso aumentou diretamente sua participação ofensiva.
Bruno Guimarães virou peça-chave
Outro atleta beneficiado foi Bruno Guimarães.
O volante passou a atuar com mais liberdade.
Sua capacidade de construção aumentou.
Também melhorou a chegada ao ataque.
Ancelotti transformou Bruno em um dos principais responsáveis pela saída de bola brasileira.
Casemiro voltou ao protagonismo
Após um período irregular, Casemiro recuperou espaço.
O treinador italiano devolveu ao volante uma função mais parecida com aquela exercida durante seus melhores anos no Real Madrid.
O resultado foi imediato.
Maior equilíbrio.
Mais proteção defensiva.
Melhor organização.
A gestão de grupo fez diferença
Nem toda evolução pode ser medida em estatísticas.
Diversos jogadores destacaram a mudança no ambiente interno após a chegada de Ancelotti.
Alisson afirmou que o grupo ganhou tranquilidade, enquanto Marquinhos destacou a capacidade do treinador de transmitir confiança e criar um ambiente mais estável para trabalhar.
A coragem nas decisões
Outro aspecto importante foi a postura do treinador.
Ancelotti não hesitou em tomar decisões difíceis.
Mesmo sendo o maior artilheiro da história da Seleção, Neymar deixou de ocupar automaticamente uma vaga entre os titulares quando não estava na melhor condição física.
O técnico também abriu espaço para jogadores que atravessavam melhor momento.
Essa meritocracia aumentou a competitividade do elenco.
Comparação com Fernando Diniz
Antes de Dorival, Fernando Diniz comandou a Seleção em seis partidas pelas Eliminatórias.
Os números mostram um desempenho inferior.
| Técnico | Jogos | Vitórias | Empates | Derrotas |
|---|---|---|---|---|
| Fernando Diniz | 6 | 2 | 1 | 3 |
| Dorival Júnior | 16 | 7 | 7 | 2 |
| Carlo Ancelotti | 12 | 7 | 3 | 2 |
A comparação evidencia uma recuperação gradual da equipe desde a troca de comando técnico.
O Brasil voltou a competir
Mais do que vencer partidas, a Seleção voltou a competir em alto nível.
Isso aparece em diversos aspectos:
- menor número de erros defensivos;
- maior intensidade;
- melhor controle emocional;
- mais posse de bola qualificada;
- transições ofensivas rápidas.
Esses elementos eram frequentemente apontados como problemas nos anos anteriores.
A Copa do Mundo confirmou a evolução
A campanha brasileira no Mundial reforçou essa percepção.
Mesmo enfrentando adversários competitivos, a equipe demonstrou maturidade.
Na vitória sobre o Japão, por exemplo, o Brasil reagiu após sair atrás do placar, algo que raramente acontecia no ciclo anterior. Jogadores relataram que a conversa de Ancelotti no intervalo foi decisiva para a virada.
Ainda existem desafios
Isso não significa que todos os problemas desapareceram.
A Seleção ainda precisa:
- melhorar a eficiência nas finalizações;
- controlar melhor alguns momentos sem a posse;
- manter regularidade diante das seleções europeias.
O duelo contra a Noruega representa justamente mais um teste para medir o tamanho dessa evolução.
Evolução nos números e no comportamento
Quando se analisam apenas os resultados, a melhora parece discreta.
Mas olhando mais profundamente, percebe-se uma transformação maior.
O Brasil:
- marca mais gols;
- sofre menos pressão;
- apresenta maior organização;
- transmite mais confiança;
- possui um ambiente interno mais estável.
Esses fatores ajudam a explicar por que a equipe voltou a ser considerada candidata ao título mundial.
A resposta para a pergunta é sim: a Seleção Brasileira mostra sinais claros de evolução desde a chegada de Carlo Ancelotti. Embora o percentual de vitórias seja semelhante ao de parte do ciclo anterior, os números revelam um time mais produtivo ofensivamente, mais sólido defensivamente e muito mais consistente em campo. O aumento da média de gols, a redução dos gols sofridos e a melhora na organização coletiva indicam que o trabalho do treinador italiano vai além dos resultados imediatos.
Se essa evolução será suficiente para recolocar o Brasil no topo do futebol mundial, apenas a sequência da Copa do Mundo responderá. Mas, até aqui, as estatísticas e o desempenho em campo mostram que a equipe recuperou competitividade e voltou a transmitir confiança ao torcedor brasileiro.
