O futebol mundial pode estar prestes a passar por uma nova transformação histórica. Após o lançamento do novo Mundial de Clubes com 32 equipes, a FIFA já estuda ampliar ainda mais a competição e aumentar o número de participantes para 48 clubes a partir da edição de 2029.
Além da expansão, outra mudança que vem ganhando força nos bastidores é a flexibilização — ou até mesmo o fim — da atual regra que limita a participação de apenas dois clubes por país, exceto quando existem campeões continentais adicionais.
Caso a proposta seja aprovada, o torneio poderá se tornar ainda mais global, rentável e competitivo, mas também deverá gerar debates intensos envolvendo calendário, desgaste físico dos atletas e equilíbrio esportivo.
A possível mudança representa um dos temas mais importantes do futebol internacional nos próximos anos.
O sucesso comercial acelerou os planos da FIFA
Quando a FIFA anunciou o novo Mundial de Clubes com 32 equipes, muitas dúvidas surgiram.
Especialistas questionavam:
- se haveria interesse do público;
- se o torneio seria financeiramente viável;
- se os clubes europeus realmente valorizariam a competição;
- se haveria espaço no calendário internacional.
Entretanto, os números iniciais indicam que a entidade ficou satisfeita com o retorno comercial.
Direitos de transmissão, patrocínios internacionais, venda de ingressos e engajamento digital reforçaram a visão da FIFA de transformar o Mundial em uma espécie de "Copa do Mundo de clubes".
Segundo diversos veículos internacionais, dirigentes da entidade entendem que existe espaço para um torneio ainda maior.
Como funciona atualmente o Mundial?
No modelo atual, o Mundial reúne 32 equipes.
As vagas são distribuídas entre as confederações continentais.
Distribuição atual aproximada:
| Confederação | Número de vagas |
|---|---|
| UEFA (Europa) | 12 |
| CONMEBOL (América do Sul) | 6 |
| AFC (Ásia) | 4 |
| CAF (África) | 4 |
| Concacaf | 4 |
| OFC | 1 |
| País-sede | 1 |
O torneio possui fase de grupos seguida de mata-mata, muito semelhante ao formato tradicional da Copa do Mundo de seleções.
O que mudaria com 48 clubes?
Caso a expansão seja aprovada, a competição ganharia um tamanho semelhante ao da Copa do Mundo de seleções de 2026.
Ainda não existe confirmação oficial sobre o formato, mas algumas hipóteses são discutidas.
Possibilidade 1: 12 grupos com quatro equipes
- 48 clubes;
- 12 grupos;
- classificação dos primeiros colocados e melhores segundos;
- mata-mata ampliado.
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Possibilidade 2: 16 grupos com três equipes
Modelo semelhante ao inicialmente estudado para a Copa do Mundo de seleções.
Possibilidade 3: expansão direta do mata-mata
Com rodadas adicionais antes das oitavas de final.
A FIFA ainda não confirmou qual caminho poderá seguir.
Fim do limite de dois clubes por país pode mudar tudo
Hoje, a regra da FIFA estabelece que, em condições normais, apenas dois clubes de cada país podem participar.
Existem exceções quando mais equipes conquistam suas respectivas competições continentais.
Essa norma foi criada para evitar concentração excessiva de representantes de um único país.
Contudo, dirigentes de diversas ligas entendem que essa regra limita o potencial esportivo e financeiro do torneio.
A mudança poderia permitir cenários como:
Brasil
- Flamengo;
- Palmeiras;
- Botafogo;
- Fluminense;
- São Paulo;
- Corinthians;
- Atlético-MG.
Inglaterra
- Manchester City;
- Liverpool;
- Arsenal;
- Chelsea;
- Manchester United;
- Tottenham.
Espanha
- Real Madrid;
- Barcelona;
- Atlético de Madrid;
- Sevilla.
Ou seja, países com ligas mais fortes poderiam ter presença significativamente maior.
Os clubes brasileiros seriam grandes beneficiados
Poucos países seriam tão favorecidos quanto o Brasil.
Nas últimas temporadas, os clubes brasileiros dominaram amplamente a Libertadores.
Desde 2019, a competição sul-americana vem sendo vencida quase exclusivamente por equipes brasileiras.
Isso fez com que gigantes tradicionais acabassem ficando fora do Mundial devido ao limite atual.
Com uma ampliação para 48 participantes e o relaxamento das restrições nacionais, o Brasil poderia ter entre seis e oito representantes.
Isso aumentaria:
- receitas;
- exposição internacional;
- valorização de atletas;
- atração de patrocinadores.
Mais dinheiro para os clubes
Talvez o principal motivo por trás da expansão seja financeiro.
O novo Mundial distribui premiações extremamente elevadas.
Para muitos clubes sul-americanos, participar do torneio significa arrecadar valores equivalentes a temporadas inteiras.
Algumas estimativas apontam que apenas a participação pode render dezenas de milhões de dólares.
Com mais vagas disponíveis:
- mais clubes receberiam recursos;
- patrocinadores ganhariam exposição global;
- mercados emergentes seriam fortalecidos.
A FIFA entende que esse processo pode acelerar o desenvolvimento do futebol em diversas regiões.
O lado negativo: o calendário
Se existe um ponto que preocupa praticamente todos os especialistas, é o calendário.
Nos últimos anos, o número de partidas disputadas pelos principais jogadores cresceu de maneira exponencial.
Hoje, atletas de elite podem ultrapassar facilmente:
- 60 jogos por temporada;
- 5.000 minutos disputados;
- inúmeras viagens intercontinentais.
A ampliação do Mundial para 48 clubes poderia acrescentar ainda mais partidas.
Sindicatos de jogadores já manifestaram preocupação.
O risco de lesões
Outro debate envolve o aumento do desgaste físico.
Quanto maior o número de partidas:
- maior a incidência de lesões musculares;
- menor o tempo de recuperação;
- maior o risco de queda de desempenho.
Grandes estrelas como:
- Kylian Mbappé;
- Vinícius Júnior;
- Erling Haaland;
- Jude Bellingham;
já disputam calendários extremamente exigentes.
A criação de um Mundial ainda maior pode gerar novos conflitos entre clubes, ligas nacionais e entidades internacionais.
A UEFA apoia a expansão?
A posição europeia ainda não é totalmente clara.
Os grandes clubes gostam das receitas adicionais.
Entretanto, algumas ligas nacionais demonstram preocupação.
Existe receio de que:
- campeonatos nacionais percam importância;
- o desgaste físico aumente;
- o calendário fique inviável.
Mesmo assim, é difícil imaginar resistência significativa caso as premiações continuem aumentando.
O que pensa a CONMEBOL?
A entidade sul-americana tende a apoiar fortemente a expansão.
Para a CONMEBOL, um Mundial ampliado significa:
- mais vagas;
- maior arrecadação;
- fortalecimento internacional dos clubes do continente.
Além disso, o futebol sul-americano vê no torneio uma oportunidade rara de enfrentar regularmente os gigantes europeus.
O sonho de clubes tradicionais
Caso o limite por país seja flexibilizado, equipes historicamente fortes poderiam voltar ao cenário global.
Entre os possíveis beneficiados estariam:
Brasil
- Corinthians;
- São Paulo;
- Internacional;
- Grêmio;
- Atlético-MG.
Inglaterra
- Manchester United;
- Tottenham.
Itália
- Milan;
- Juventus;
- Inter de Milão.
Espanha
- Barcelona.
Isso aumentaria significativamente o interesse comercial do torneio.
O Mundial pode virar a principal competição entre clubes?
Para muitos dirigentes da FIFA, esse é justamente o objetivo.
A entidade deseja construir uma competição comparável à Copa do Mundo de seleções.
A ideia é criar:
- audiência global;
- grande impacto comercial;
- ciclo de quatro anos;
- enorme valorização das marcas envolvidas.
Ainda é cedo para afirmar se isso acontecerá.
Mas o projeto claramente aponta nessa direção.
Haverá resistência das ligas nacionais?
Muito provavelmente.
Diversas ligas europeias já demonstraram preocupação com a expansão constante das competições internacionais.
Existe o temor de:
- redução de datas disponíveis;
- diminuição do interesse doméstico;
- saturação do público.
A discussão promete ser intensa até 2029.
Como poderia ser a distribuição de vagas?
Embora nada esteja definido, especialistas especulam um cenário semelhante ao seguinte:
| Confederação | Vagas possíveis |
|---|---|
| UEFA | 16 a 18 |
| CONMEBOL | 8 |
| Concacaf | 6 |
| África | 6 |
| Ásia | 6 |
| Oceania | 2 |
| País-sede | 2 |
Esse formato ampliaria significativamente a presença global.
O impacto para o futebol brasileiro
O Brasil pode ser um dos maiores vencedores dessa mudança.
Além do aumento financeiro, haveria:
- maior visibilidade internacional;
- fortalecimento das marcas dos clubes;
- valorização de jogadores;
- crescimento das receitas de transmissão.
Clubes brasileiros já possuem enorme torcida e tradição.
Com mais representantes, o país poderia consolidar ainda mais sua relevância no cenário mundial.
