Os números que explicam a derrota do Brasil para a Noruega na Copa do Mundo

 

A derrota do Brasil para a Noruega por 2 a 1 nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 pode ser explicada pelos números. Veja a análise completa das estatísticas individuais e coletivas da partida.


A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 não pode ser explicada apenas pelos dois gols de Erling Haaland. Quando observamos as estatísticas individuais da partida, fica evidente que a seleção norueguesa conseguiu dominar aspectos importantes do jogo, principalmente na circulação da bola, na eficiência dos passes e na construção das jogadas ofensivas.

Enquanto o Brasil apostava na velocidade de Vinícius Júnior e nas jogadas individuais, a Noruega construiu sua vitória através de organização coletiva, precisão nos passes e excelente ocupação dos espaços.

Os números da FIFA ajudam a entender exatamente onde a Seleção perdeu o controle da partida.

A posse de bola foi mais eficiente para a Noruega

Mesmo sem trocar tantos passes quanto costuma acontecer com seleções tradicionais como Espanha ou Alemanha, a Noruega apresentou uma circulação extremamente eficiente.

Os principais responsáveis foram os dois meio-campistas.

Sander Berge

  • 119 passes tentados
  • 117 passes certos
  • 98% de aproveitamento
  • 25 tentativas de quebra de linha
  • 24 quebras de linha completas

Foi o jogador que mais participou da construção ofensiva da Noruega.

Sempre ofereceu opção de passe.

Controlou o ritmo da partida.

Poucas vezes errou a posse.

Martin Ødegaard

Os números do capitão também impressionam.

  • 109 passes tentados
  • 101 passes completos
  • 93% de aproveitamento
  • 14 quebras de linha completas
  • 3 progressões com bola
  • 3 finalizações

Ødegaard comandou praticamente todas as ações ofensivas da equipe.

Foi o elo entre defesa e ataque.

Cada vez que recebia livre, encontrava espaços entre as linhas brasileiras.

O Brasil teve mais dificuldade para construir

No lado brasileiro, nenhum jogador conseguiu controlar o jogo da mesma maneira.

Os dois principais articuladores foram Casemiro e Danilo.

Casemiro

  • 38 passes tentados
  • 35 certos
  • 92%
  • 11 tentativas de quebra de linha
  • 8 concluídas

Embora tenha boa precisão, participou muito menos da circulação da bola do que Berge.

Danilo

O volante teve números interessantes.

  • 46 passes
  • 37 certos
  • 80%
  • 18 tentativas de quebra de linha
  • 13 concluídas

Foi um dos atletas que mais tentou acelerar o jogo brasileiro.

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Vinícius Júnior foi o jogador mais perigoso do Brasil

Se existe um atleta que conseguiu desequilibrar individualmente, esse jogador foi Vinícius Júnior.

Os números mostram isso.

Vinícius Júnior

  • 16 progressões com bola
  • 16 dribles (take ons)
  • 12 tentativas de quebra de linha
  • 9 completas
  • 2 finalizações

Foi disparado o atleta mais agressivo da Seleção.

Sempre que recebeu a bola, buscou atacar a defesa norueguesa.

O problema é que muitas dessas jogadas terminaram isoladas, sem aproximação suficiente dos companheiros.

Haaland quase não participou...

Curiosamente, Erling Haaland teve poucos contatos com a bola.

Os números chamam atenção.

Erling Haaland

  • 11 passes tentados
  • 11 passes certos
  • 100%
  • 1 quebra de linha
  • 1 progressão
  • 4 finalizações
  • 2 gols

É um exemplo perfeito de eficiência.

Enquanto outros jogadores participaram durante toda a partida, Haaland precisou de poucas ações para decidir completamente o confronto.

Essa característica explica por que ele é considerado um dos atacantes mais letais do futebol mundial.

Brasil teve mais jogadores buscando o drible

A tabela mostra claramente uma diferença de estilo.

Brasil

Vinícius Júnior — 16 dribles

Neymar — 3 dribles

Martinelli — 2 dribles

Matheus Cunha — 2 dribles

Rayan — 1 drible

Endrick — 1 drible

Noruega

Oscar Bobb — 5 dribles

Antonio Nusa — 5 dribles

Ødegaard — 1

Haaland — 1

Alexander Sørloth — 1

A Noruega preferiu acelerar através dos passes.

O Brasil tentou resolver muito mais individualmente.

A diferença apareceu nas quebras de linha

Um dado importante da FIFA é o número de Line Breaks, que representam passes capazes de eliminar linhas defensivas.

Noruega

Sander Berge — 24

Julian Ryerson — 20

Kristoffer Ajer — 15

Ødegaard — 14

Total dos principais jogadores: 73

Brasil

Danilo — 13

Douglas Santos — 10

Vinícius — 9

Casemiro — 8

Bruno Guimarães — 8

Total: 48

Isso mostra que a Noruega conseguiu encontrar espaços com muito mais facilidade.

A precisão dos zagueiros impressionou

Outro aspecto importante foi a saída de bola.

Kristoffer Ajer

  • 73 passes
  • 71 certos
  • 97%

Gabriel Magalhães

  • 34 passes
  • 31 certos
  • 91%

Marquinhos

  • 22 passes
  • 20 certos
  • 91%

Os brasileiros foram bem.

Mas participaram muito menos da construção ofensiva.

Neymar participou pouco

Entrando apenas durante a partida, Neymar teve números discretos.

  • 12 passes
  • 9 certos
  • 75%
  • 3 cruzamentos
  • 3 progressões
  • 2 finalizações
  • 1 gol

Mesmo marcando de pênalti, participou pouco da construção ofensiva.

Fisicamente, ficou evidente que ainda não conseguia sustentar um ritmo alto durante muitos minutos.

A Noruega valorizou cada posse

Talvez essa seja a principal conclusão da tabela.

Observe a quantidade de jogadores noruegueses acima de 90% de aproveitamento nos passes.

  • Berge — 98%
  • Ajer — 97%
  • Schjelderup — 96%
  • Heggem — 94%
  • Aursnes — 94%
  • Ødegaard — 93%
  • Berg — 93%
  • Ryerson — 92%
  • Bobb — 92%

O Brasil também teve bons índices, mas em menor número e com menos volume de jogo.

O coletivo venceu o talento individual

A tabela deixa uma conclusão muito clara.

O Brasil teve os jogadores mais agressivos.

Vinícius desequilibrou.

Neymar entrou bem.

Casemiro tentou acelerar.

Mas a Noruega funcionou como equipe.

Os números comprovam isso.

O meio-campo formado por Sander Berge e Martin Ødegaard controlou completamente o ritmo da partida.

Na frente, Haaland praticamente não desperdiçou oportunidades.

Foi um futebol menos vistoso.

Mas extremamente eficiente.

Comparação dos principais jogadores

JogadorPasses certosAproveitamentoQuebras de linhaGols
Sander Berge11798%240
Martin Ødegaard10193%140
Kristoffer Ajer7197%150
Vinícius Júnior1986%90
Casemiro3592%80
Danilo3780%130
Neymar975%51
Erling Haaland11100%12

Os dados da FIFA mostram que a derrota brasileira foi construída muito antes dos gols de Erling Haaland. A Noruega dominou o meio-campo com uma circulação de bola extremamente eficiente, liderada por Sander Berge e Martin Ødegaard, ambos com mais de 100 passes tentados e índices superiores a 90% de acerto. Essa capacidade de manter a posse e romper linhas defensivas permitiu que a equipe controlasse o ritmo da partida e criasse as condições para decidir o confronto.

O Brasil, por sua vez, concentrou sua produção ofensiva em ações individuais, especialmente de Vinícius Júnior, que liderou a equipe em progressões com bola e dribles. No entanto, a falta de apoio coletivo e a menor participação do meio-campo impediram que essas jogadas se transformassem em domínio territorial. No fim, prevaleceu a eficiência norueguesa: menos ações ofensivas, mais organização e um Haaland decisivo, que precisou de poucas oportunidades para eliminar a Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 2026. 

Bruno Santana

Formado em Análise e Desenvolvimento de sistemas , mas apaixonado por futebol e escritos nas horas vagas

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